Na cabeça de Eduardo Paes, a Prefeitura do Rio não é parte do poder Executivo — é o poder absoluto. Em reunião com barraqueiros no Teatro Ipanema, no dia 16 de maio, o prefeito deu mais uma aula de como atropelar o Legislativo e tratar aliados como figurantes. Ao lado do vereador Flávio Valle (PL), que tentava defender a classe, Paes perdeu a compostura e cravou, ao vivo e em cores: “Dane-se, com todo respeito, o seu mandato, Flávio.” Com informações do Diário do Rio.
O vídeo, que circula nas redes, não deixa margem para dúvidas: a fala foi seca, arrogante e emblemática. Não é a primeira vez que Paes demonstra desprezo por quem não se curva aos seus decretos. Dessa vez, sobrou até para um aliado fiel — e o episódio caiu como uma bomba entre os parlamentares.
O motivo do embate? Um decreto da Prefeitura que impõe novas regras à orla, proibindo som, bandeiras e nomes nas barracas, com ameaça de cassação de licenças. A medida, empurrada sem diálogo, foi vendida como “ordem”, mas foi recebida como autoritarismo. Os trabalhadores reagiram, e o prefeito, em vez de recuar, dobrou a aposta: “Prefiro perder a eleição do que ter uma cidade esculhambada.”
Só faltou explicar quem define o que é “esculhambação”. Porque, para os barraqueiros, o que está em curso é uma tentativa de higienizar a praia carioca a golpes de decreto. E para os vereadores, ficou a mensagem: Paes governa como se fosse rei — e os mandatos alheios, para ele, não valem nada.
A frase virou símbolo de um governo que ignora a separação de poderes, esvazia o Legislativo e trata aliados como subalternos. Um estilo cada vez mais isolado, autorreferente e, ao que tudo indica, em rota de colisão com a própria base.
O “monarca da Guanabara” reina, sim. Mas o castelo é de areia. E a próxima onda vem de outubro.
Assista ao vídeo: https://www.instagram.com/p/DKPgU_eNvRc/