Com informações do G1. Para Gabriel, David e Vítor, a caminhada até a Pedra do Sino, o ponto mais alto da Serra dos Órgãos, terminou em um episódio extremo.
Preparados e bem equipados, os amigos enfrentaram seis horas de subida e celebraram o cume de 600 milhões de anos como uma experiência espiritual. Na descida, porém, uma bifurcação mudou tudo: Gabriel Pessanha hesitou ao ver o trecho indicado pelos amigos e, com medo, desviou sozinho pela direita.
“Só que infelizmente eu fiquei com medo de descer. E sem que eles percebessem, eu fui para a direita. Escolhi a direita. E aí quando eles pensaram em olhar para trás eu já tinha ido”, recorda Gabriel.
Ele acabou caindo de um penhasco. Escorregou, bateu a cabeça e desmaiou. Quando acordou, estava preso entre duas pedras em forma de ampulheta, sem noção do tempo. Com o frio se aproximando e as forças se esgotando, o jovem tentou se preparar para o pior:
“Tipo, vou morrer aqui, ninguém vai me achar. […] Falei, agora eu vou morrer aqui sem muito sofrimento, né? Vou me desligar naturalmente”, conta.
Enquanto isso, David, um dos amigos, insistia em chamá-lo de volta. O grito foi ouvido. O reencontro deu alívio, mas o resgate ainda estava longe de acontecer.
Com a chegada dos socorristas do Corpo de Bombeiros, iniciou-se a operação. Gabriel não podia ser puxado por cima nem por baixo. Foi necessário quebrar a rocha aos poucos.
“Eu avaliei e falei: eu preciso de marreta, talhadeira e um enfermeiro”, disse um dos bombeiros. A equipe se revezou por três horas. “Dali sozinho, ele não sairia. Realmente, ele nasceu de novo”, concluiu Ramon Roque, primeiro-sargento.
O jovem, com lesões nos nervos do braço direito, conseguiu deixar o local andando, ao lado do amigo de infância.