Rio de Janeiro

Governo do Rio apresenta ao STF plano ousado para retomada de territórios dominados pelo crime

Governo do Rio apresenta ao STF plano ousado para retomada de territórios dominados pelo crime
Iniciativa atende às exigências da ADPF 635 — conhecida como ADPF das Favelas — e marca uma nova etapa após a Operação Contenção e o Programa Barricada Zero (Thomaz Silva/EBC)

Com informações de Coisas da Política. Em um movimento considerado histórico no enfrentamento ao crime organizado, o Governo do Estado do Rio de Janeiro encaminhou nesta segunda-feira (22) ao Supremo Tribunal Federal (STF) o plano de reocupação de áreas sob domínio de facções criminosas. A iniciativa atende às exigências da ADPF 635 — conhecida como ADPF das Favelas — e marca uma nova etapa após a Operação Contenção e o Programa Barricada Zero.

O documento prevê que a primeira frente de atuação ocorrerá na Zona Sudoeste da capital, abrangendo as comunidades de Rio das Pedras, Muzema e Gardênia Azul, todas na região da Grande Jacarepaguá.

Diagnóstico e prioridades

  • A região concentra mais de 1,2 milhão de moradores, segundo o IBGE;
  • Foi classificada como de baixa complexidade operacional, o que a torna estratégica para o início da ocupação permanente;
  • Rio das Pedras está sob domínio de milicianos aliados ao Terceiro Comando Puro;
  • Muzema e Gardênia Azul são controladas pelo Comando Vermelho;
  • A Cidade de Deus, também mapeada, ficará fora da primeira fase, mas segue no radar das autoridades.

Estrutura do plano

O projeto enviado ao STF se organiza em cinco eixos centrais, que vão além da segurança e buscam garantir presença contínua do Estado:

Segurança e Justiça

  • Bases Integradas de Segurança Territorial (BIST) funcionando 24h;
  • Policiamento comunitário e monitoramento tecnológico;
  • Justiça Itinerante com Defensoria, MP e juizados;
  • Repressão ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

Desenvolvimento Social

  • Mutirões de cidadania, saúde e educação;
  • Escolas em tempo integral e atividades extracurriculares;
  • Centros da Juventude com cursos técnicos e inclusão digital;
  • Programas de apoio familiar contra o aliciamento de menores.

Urbanismo e Infraestrutura

  • Obras de saneamento, iluminação e moradia;
  • Regularização fundiária com entrega de títulos de propriedade;
  • Wi-Fi público em áreas coletivas;
  • Mobilidade urbana com transporte seguro.

Desenvolvimento Econômico

  • Zonas de Incentivo ao Empreendedorismo com microcrédito;
  • Fomento a cooperativas e polos produtivos;
  • Parcerias empresariais para contratação local;
  • Incentivo ao turismo comunitário e cultural.

Governança e Sustentabilidade

  • Gabinete Integrado de Gestão Territorial (União, Estado e municípios);
  • Comitês locais com metas e monitoramento contínuo;
  • Conselhos populares de fiscalização;
  • Plataforma digital de transparência com indicadores públicos.

STF e próximos passos

O plano ainda precisa ser discutido com a Prefeitura do Rio e com o governo federal. A implementação depende da validação de um grupo de trabalho criado pelo STF.

“A Cidade de Deus também está no radar. A ideia é começar pelas áreas mais viáveis e expandir para todo o estado”, afirmou Victor dos Santos, secretário estadual responsável pelo projeto.

Cumprimento das exigências

Entre as 18 determinações do STF na ADPF 635, três tinham prazo até o dia 15. O governo afirma ter cumprido todas, incluindo:

  • Uso de câmeras corporais e em viaturas;
  • Disponibilidade de ambulâncias em operações policiais;
  • Atendimento em saúde mental para agentes de segurança.

Impacto esperado

O plano busca romper com operações pontuais e inaugurar um modelo de presença permanente do Estado em territórios antes dominados pelo crime, combinando segurança, cidadania e desenvolvimento.

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