Com informações do O Globo. O fundo previdenciário dos servidores de Itaguaí, o Itaprevi, acompanha com expectativa a possibilidade de investigação após a operação da Polícia Federal que teve como alvo gestores do Rioprevidência. O presidente do instituto, Carlos Eduardo Cruz Ferreira Gonçalves, afirmou que considera provável a abertura de apuração semelhante no âmbito municipal, diante dos investimentos realizados em Letras Financeiras do Banco Master, atualmente liquidado.
O Itaprevi integra o grupo de 18 entidades previdenciárias que aplicaram recursos no banco, mas se destaca por ter comprometido cerca de 20% de seu patrimônio nesses papéis sem garantia. Segundo documentos apresentados pela atual gestão, foram investidos R$ 29,6 milhões em 28 de junho de 2024 e outros R$ 30 milhões em 3 de julho do mesmo ano. Até então, os recursos do fundo estavam concentrados em instituições financeiras tradicionais.
Gonçalves atribui as decisões à administração anterior e afirma que, em 2024, a política de investimentos do fundo foi alterada para ampliar o limite de aplicação em Letras Financeiras de 2% para 20% do patrimônio, mesmo diante de ponderações da consultoria responsável. A ex-presidente do instituto, Fernanda Pereira da Silva Machado, deixou o cargo em janeiro de 2025. Em nota, sua defesa sustenta que as aplicações não decorreram de decisão pessoal ou direcionada e que, à época, o Banco Master apresentou as melhores condições de rentabilidade.
Entre servidores ativos e aposentados, o episódio gerou apreensão quanto aos reflexos sobre o pagamento de benefícios. Beneficiários relatam falta de informações claras sobre o alcance das perdas e temem impactos futuros nas aposentadorias. A atual gestão, no entanto, afirma que não há risco imediato de atraso nos pagamentos nem previsão de aumento das alíquotas de contribuição.

De acordo com o presidente do Itaprevi, o instituto dispõe de aproximadamente R$ 300 milhões em caixa, o que garantiria o pagamento da folha por pelo menos dez anos. Ainda assim, o prejuízo amplia o déficit atuarial do fundo, estimado em cerca de R$ 1 bilhão. Para mitigar o impacto, o município já solicitou habilitação de crédito junto ao liquidante do Banco Master e estuda a antecipação de precatórios para compensar parte das perdas.
Enquanto os cálculos são atualizados, a administração municipal afirma que acompanha o caso e aguarda os desdobramentos das apurações em nível federal, reforçando que eventuais responsabilidades serão apuradas nos fóruns competentes.