Política

A estratégia de Castro, Bolsonaro e deputados da Alerj para elegerem Douglas Ruas governador em 2026

A estratégia de Castro, Bolsonaro e deputados da Alerj para elegerem Douglas Ruas governador em 2026
FAMÍLIA - Ruas com o pai, o prefeito de São Gonçalo (de óculos escuros): aposta na região metropolitana (@douglasruasrj/Instagram)

Com informações da Veja. O Rio de Janeiro volta ao centro do xadrez político nacional na corrida de 2026. Terceiro maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais, o estado virou peça-chave na montagem dos palanques presidenciais. De um lado, o campo governista aposta na força do prefeito Eduardo Paes (PSD), aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro, o PL e o clã Bolsonaro trabalham para erguer um adversário competitivo ao Palácio Guanabara. O nome escolhido é o do secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas.

A decisão foi selada em reunião da cúpula do Partido Liberal em Brasília. O plano envolve uma engenharia política mais ampla: o governador Cláudio Castro deve deixar o cargo para disputar o Senado, abrindo espaço para uma eleição indireta no estado. Sem vice-governador, após a ida de Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas, e com o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal, a estratégia discutida nos bastidores é articular na Assembleia a escolha de Ruas como governador interino. A ideia é simples: disputar a eleição já sentado na cadeira.

O senador Flávio Bolsonaro seria um dos principais articuladores dessa movimentação. Para o bolsonarismo, ter um palanque forte no Rio é fundamental para garantir votos em um dos redutos históricos da família.

Apesar de ainda ser pouco conhecido fora do meio político, Ruas chega com alguns ativos. Foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio, com mais de 175 mil votos, e ganhou musculatura política ao assumir a Secretaria de Cidades. Desde que seu nome passou a circular como pré-candidato, ele intensificou a agenda com prefeitos e já conversou com mais de 70 dos 92 chefes do Executivo municipal do estado, articulando agendas na Baixada Fluminense e no interior.

O principal cabo eleitoral do secretário é o próprio pai, Capitão Nelson (PL), prefeito de São Gonçalo. A estratégia da direita passa justamente por consolidar força na Região Metropolitana, onde vivem cerca de 5,5 milhões de eleitores. A composição desenhada inclui ainda o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogerio Lisboa (PP), como candidato a vice-governador, e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), na disputa por uma vaga ao Senado.

A campanha também pretende explorar o perfil conservador e evangélico de Ruas, ao mesmo tempo em que tenta colar em Paes o rótulo de aliado direto de Lula. No interior do estado, onde o eleitorado tende a ser mais conservador, essa narrativa é vista como uma possível vantagem eleitoral.

Outro eixo da campanha será a segurança pública. Ruas é policial civil e deve reforçar a imagem de candidato linha-dura. “Ele teve uma atuação importante na remoção de barricadas erguidas pelo tráfico”, afirma o deputado estadual Rodrigo Amorim (União Brasil), citando ações de enfrentamento ao controle territorial do crime organizado.

Do lado governista, Paes segue liderando as pesquisas e tenta ampliar sua base. Recentemente, escolheu como vice a empresária Jane Reis, irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB). Casada com um pastor da Assembleia de Deus, ela entra na chapa com a missão de dialogar com o eleitorado evangélico, terreno onde a direita costuma ter vantagem.

Até pouco tempo, Paes corria praticamente sozinho na disputa pelo Palácio Guanabara. A entrada de Douglas Ruas muda o tabuleiro e inaugura uma corrida que promete ser bem mais disputada do que indicavam os primeiros movimentos da pré-campanha.

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