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Carga tributária bate recorde e expõe impasse fiscal do governo Lula

Carga tributária bate recorde e expõe impasse fiscal do governo Lula

A carga tributária brasileira voltou a subir e atingiu em 2025 o maior patamar da série recente, em meio ao avanço da arrecadação e à piora das contas públicas. Dados do Tesouro Nacional mostram que União, estados e municípios arrecadaram R$ 4,127 trilhões em impostos, taxas e contribuições no ano passado, o equivalente a 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB). As informações foram destacadas em editorial publicado pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira.

O percentual supera os 31,2% do PIB registrados em 2022 e reforça a pressão tributária sobre a economia brasileira. Na prática, significa que quase um terço da renda gerada no país passou pelas mãos do Estado. O número pode ser ainda maior, a depender da metodologia adotada, já que há levantamentos que também incluem encargos como FGTS e Sistema S.

Mesmo com o reforço de caixa, o governo não conseguiu conter a deterioração fiscal. O resultado primário do Tesouro, que havia fechado 2022 com superávit de 0,55% do PIB, terminou 2025 com déficit de 0,46%. Quando entram na conta os gastos com juros, o rombo salta de 4,45% para 7,59% do PIB.

O avanço da arrecadação federal ajuda a explicar esse movimento. Em três anos, a receita de tributos da União subiu de 20,6% para 21,6% do PIB. Ainda assim, a expansão da receita não bastou para reequilibrar as contas, pressionadas pelo crescimento contínuo das despesas públicas.

Entre as medidas adotadas pelo governo, houve ações para rever benefícios tributários e reduzir privilégios de grupos específicos, mas também decisões que ampliaram a crítica do setor produtivo, como o aumento do IOF em 2025, que encareceu o crédito bancário. No fim, a arrecadação cresceu, mas não evitou a escalada do déficit.

O peso dos tributos no Brasil também chama atenção na comparação internacional. A carga brasileira ficou bem acima da média da América Latina, que gira em torno de 21% do PIB, e supera até a de países desenvolvidos como Estados Unidos e Japão.

O debate, agora, passa menos por arrecadar mais e mais por discutir onde cobrar e como gastar. A avaliação é de que o sistema pode ser redesenhado para tributar menos o consumo e pesar mais sobre a renda alta, mas sem repetir a aposta de elevar impostos indefinidamente enquanto o gasto público continua em expansão.

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