Rio de Janeiro

Rio quer voltar a ser potência do café e aposta em produção de 4 milhões de sacas e 200 mil empregos

Rio quer voltar a ser potência do café e aposta em produção de 4 milhões de sacas e 200 mil empregos

O Rio de Janeiro, que já esteve entre os maiores produtores de café do mundo, quer recuperar o protagonismo perdido na atividade. O projeto Volta Café, criado pelo empresário Ruy Barreto Filho, pretende ampliar a produção fluminense para quatro milhões de sacas em dez anos e impulsionar uma cadeia produtiva com potencial estimado de 200 mil empregos diretos e indiretos. Uma das primeiras iniciativas será a inauguração, em novembro, de um laboratório de cafés especiais em Varre-Sai, no Noroeste Fluminense.

O Laboratório de Análises de Cafés Especiais de Varre-Sai, considerado pioneiro no estado, deverá permitir que produtores avaliem a qualidade dos grãos e identifiquem características capazes de aumentar seu valor comercial. Segundo Ruy, a estrutura estava pronta havia mais de um ano, mas ainda não tinha recebido os equipamentos necessários. A situação foi encaminhada ao governador em exercício, Ricardo Couto, e ao secretário estadual de Agricultura, Ricardo Augusto Rosa Mansur, em articulação com a Pesagro-Rio.

“O laboratório é do Governo do Estado, mas ficou esquecido por mais de um ano. Bastou o Volta Café e a Pesagro informarem a situação ao governador e ao secretário para os equipamentos serem disponibilizados”, afirmou o empresário.

A proposta busca recuperar uma atividade que sustentou parte importante da economia fluminense durante o século XIX, especialmente nas fazendas do Vale do Paraíba. O café chegou a ter tamanha relevância que permanece representado na bandeira do estado, ao lado da cana-de-açúcar. Com o passar das décadas, porém, a liderança nacional se deslocou para Minas Gerais e Espírito Santo.

Hoje, a distância entre o Rio e os principais produtores é significativa. Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra fluminense de 2026 deve ficar próxima de 423 mil sacas, enquanto a produção brasileira está projetada em 67,6 milhões. Ruy defende que o estado tem condições de crescer e aponta o Espírito Santo, com produção de milhões de sacas, como referência para o desenvolvimento da atividade.

O empresário trabalha com a meta de dobrar a produção estadual nos próximos cinco anos e alcançar quatro milhões de sacas em uma década. Embora o projeto apresente essa expansão como uma quadruplicação, o volume projetado pela Conab para 2026 indica que a meta representaria um crescimento ainda maior em relação à safra atual. Os resultados dependerão de investimentos, produtividade e ampliação das áreas cultivadas.

A geração de empregos também está entre os principais objetivos. Ruy estima que a cafeicultura fluminense movimente atualmente cerca de 50 mil postos de trabalho diretos e indiretos, número que poderia chegar a 200 mil com o fortalecimento do setor. “Investir nessa cadeia produtiva é, também, um plano efetivo de Segurança Pública e distribuição de riqueza”, defendeu.

A inauguração do laboratório de Varre-Sai será o primeiro passo concreto dessa estratégia, que pretende valorizar os produtores locais, ampliar a presença do café fluminense no mercado de grãos especiais e movimentar a economia dos municípios do interior.

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