Em entrevista ao Jornal da CBN, o deputado federal Marcelo Ramos (PSD-AM) classificou como ‘violência do Executivo’ a pressão do presidente Jair Bolsonaro para sua retirada do cargo de vice-presidente da Câmara dos Deputados.
Via CBN
Aliados do presidente Jair Bolsonaro no PL pressionam o presidente da Câmara, Arthur Lira, para retirar Marcelo Ramos da vice-presidência da Casa. Ramos trocou o PL pelo PSD após a filiação de Bolsonaro à legenda e tem sido oposição ao chefe do Executivo na Mesa Diretora. Para falar sobre o assunto, o Jornal da CBN recebeu o próprio o deputado, que criticou o movimento de Bolsonaro conta sua pessoa.
Diante da pressão, o deputado recorreu ao TSE para impedir que seja removido do cargo. O ministro Alexandre de Moraes concedeu uma liminar e oficiou o presidente da Câmara, Arthur Lira, a se abster de qualquer pedido do PL para trocar o amazonense da vice-presidência.
Ramos disse ainda que, embora o regimento da Câmara determine que um deputado perca o cargo na Mesa Diretora caso mude de partido, um precedente de 2016 decidiu que a vaga pertence ao bloco partidário e não à legenda.
‘Como eu troquei de um partido para outro, do mesmo bloco partidário, obviamente, pelo precedente que existe na Mesa, não seria aplicado esse item do regimento. além disso, ainda há o fato de que o próprio PL, em tese, dono da vaga na Mesa, expressamente abriu mão de pedir essa vaga quando me concedeu a carta que autorizou minha desfiliação’, argumentou.
Sobre o efeito político da sua eventual saída, o deputado amazonense se definiu como um crítico aos equívocos do governo federal.
‘Eu mantenho uma voz de defesa intransigente da democracia e nós perderíamos isso na Mesa Diretora. No fundo, o problema não é que eu mudei de partido, o problema é que eu não sou lambaio do presidente Bolsonaro’, afirmou.