Polícia

Botão escondido fazia taxímetro disparar e corridas do Galeão chegavam a custar quase 10 vezes mais

Botão escondido fazia taxímetro disparar e corridas do Galeão chegavam a custar quase 10 vezes mais

Um botão escondido no interior do táxi era o segredo de um esquema de fraude que fazia passageiros do Aeroporto Internacional do Galeão pagarem até R$ 900 por corridas até a Zona Sul do Rio. A Polícia Civil descobriu que motoristas suspeitos utilizavam dispositivos eletrônicos clandestinos para acelerar o taxímetro e multiplicar artificialmente o preço das viagens.

O funcionamento do golpe foi revelado em um vídeo obtido pelos investigadores. Nas imagens, um homem conhecido como “Negão” demonstra como um chip instalado atrás do botão de abertura do porta-malas permite alterar a cobrança. O acionador fica escondido sob o carpete ou no forro do veículo e, ao ser pressionado, faz o valor registrado no taxímetro subir sem corresponder à distância percorrida.

As investigações começaram em janeiro, após a denúncia de um passageiro abordado no aeroporto por um homem uniformizado e equipado com radiotransmissor. Durante o trajeto, o taxista teria tentado distraí-lo repetidas vezes. Ao chegar ao destino, a cobrança estava 50% acima do preço habitual. A apuração revelou casos ainda mais graves, com valores próximos de dez vezes o custo normal.

A operação realizada nesta quinta-feira (8) levou 33 suspeitos à delegacia. Segundo a Polícia Civil, uma empresa de locação de táxis encaminhava veículos a uma mesma oficina para instalar os equipamentos adulterados. A estimativa é de que cerca de 200 carros tenham sido preparados para a fraude. Nenhum dos conduzidos integra a cooperativa responsável pelo serviço oficial de táxis do Galeão.

A investigação também identificou a participação de traficantes que controlavam uma área de estacionamento próxima ao aeroporto e cobravam R$ 120 de cada motorista pelo uso do espaço. O delegado Victor Tuttmann informou que os envolvidos são investigados por associação criminosa, estelionato e crimes contra as relações de consumo e a economia popular.

O trabalho da Polícia Civil permitiu desvendar desde o mecanismo eletrônico da fraude até a estrutura de exploração dos passageiros. Com veículos apreendidos ainda sob perícia, a corporação orienta os viajantes a utilizar os pontos oficiais de táxi do aeroporto e recusar ofertas de transporte feitas nos saguões.

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