Política

Câmara de Petrópolis aprova lei que limita uso de banheiros para pessoas trans

Câmara de Petrópolis aprova lei que limita uso de banheiros para pessoas trans

Proposta ainda depende de sanção do prefeito e gerou debates acalorados entre vereadores nesta quarta-feira (11)

Com informações de O DIA.

Rio – A Câmara Municipal de Petrópolis aprovou, nesta quarta-feira (11), o Projeto de Lei 3363/2024, que restringe o uso de banheiros femininos e masculinos por pessoas trans no município da Região Serrana do Rio. A proposta foi aprovada com oito votos favoráveis, dois contrários e cinco ausências.

Durante a sessão houve intensa discussão na Câmara e dividiu opiniões, resultando em uma votação acalorada do início ao fim. O prefeito Hingo Hammes (PP) tem até 15 dias para decidir se aprova ou veta a proposta.

De autoria do vereador Octavio Sampaio (PL), o projeto já havia sido aprovado em primeira discussão no último dia 4, com 10 votos favoráveis entre os 15 vereadores da Casa, mas retornou para a pauta hoje. Na ocasião, o tema também foi alvo de debates polêmicos.

A proposta proíbe que pessoas trans utilizem banheiros com base na identidade de gênero com a qual se identificam, em estabelecimentos públicos do município. O texto determina que a regra será aplicada em banheiros de repartições públicas, escolas, estabelecimentos comerciais, de serviços e industriais, além de eventos, shows e similares com licença emitida pela prefeitura.

Diante das críticas, o vereador Octavio Sampaio defendeu o texto. “O projeto foi aprovado por ampla maioria com o objetivo de garantir maior segurança e privacidade para mulheres e crianças em banheiros públicos compartilhados, atendendo a uma demanda legítima apresentada por mulheres, especialmente por mães preocupadas com a exposição corporal nesses espaços. A proposta estabelece critérios objetivos e verificáveis para o uso desses ambientes, com foco na prevenção de situações de abuso ou constrangimento”, disse o parlamentar.

Ainda segundo Sampaio, a iniciativa “não possui caráter discriminatório, mas sim protetivo”. “A prioridade é assegurar que a dignidade e a proteção dos mais vulneráveis estejam sempre em primeiro lugar”, finalizou.

A vereadora de Niterói Benny Briolly (Psol) se posicionou contra a decisão, que classificou como inconstitucional e transfóbica. “Essa decisão não é apenas ilegal. Ela é desumana, transfóbica e inconstitucional. Ninguém tem o direito de determinar quem é ou não é mulher com base em ódio, ignorância ou preconceito. Essa medida fere a dignidade da pessoa humana, o direito à identidade de gênero e coloca mulheres trans em risco real de violência, humilhação e exclusão”, declarou. Benny foi a primeira travesti eleita e reeleita no estado do Rio de Janeiro.

“Além de ser inconstitucional, a Câmara demonstra um lado de retrocesso no Brasil, um país que ainda dissemina o preconceito como arma de resistência política. Esse projeto tem a intenção de negar a nossa existência. A gente já entrou com uma ação no Ministério Público Federal porque temos uma decisão no Supremo Tribunal Federal que pode sim fazer essa retificação”, concluiu.

O Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros do Brasil (Fonatrans) também se manifestou contra a proposta. “Além de ser uma clara violação dos direitos humanos, a medida é discriminatória, transfóbica e ineficaz. A lei ainda prevê multa para quem descumpri-la, institucionalizando a transfobia no espaço público. O Fonatrans repudia essa medida cruel e já articula ações jurídicas e políticas contra esse retrocesso”, afirmou a entidade em nota.

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