A Câmara do Rio manteve nesta terça (30), por 16 votos a 12, o veto do prefeito Eduardo Paes (PSD) ao projeto que previa o cercamento de parquinhos infantis para proteger crianças com autismo do chamado elopement — comportamento que leva à fuga repentina e pode gerar acidentes graves.
A proposta, de Paulo Messina (PL), contava com apoio de pais atípicos e foi aprovada por unanimidade na Casa, mas acabou barrada pelo Executivo, sob alegação de vício de iniciativa. Revoltado, Messina afirmou que muitos vereadores “seguiram o governo sem sequer ler o projeto” e anunciou que vai reapresentar o texto: “Se for só por ser de origem legislativa, mando até o Word pro Paes assinar”.
Rogério Amorim (PL) também reagiu com dureza: “Hoje essa Casa aperta as mãos do prefeito para colocar em risco a vida de crianças com autismo. Daqui a seis meses vai ter vereador pedindo voto com broche da causa no peito”.
Leniel Borel (PP) engrossou a crítica e sugeriu que a proposta volte ainda mais ampla: “Hoje é perigoso ser criança no Rio. Além do cercamento, precisamos de segurança. O tráfico tomou conta das praças e ninguém quer enxergar”.
Apesar da pressão, a base do governo garantiu a manutenção do veto. O líder Marcio Ribeiro (PSD) tentou desviar a responsabilidade: “Se acontecer algum acidente, será um acidente, não culpa de quem votou ou do Executivo”.