A restauração da histórica Estação Barão de Mauá, no Centro do Rio, virou mais um retrato do abandono — e não apenas o da estrutura. Completando um ano nesta semana, a obra orçada em R$ 72,3 milhões está praticamente paralisada, e o canteiro, tomado por entulho. Oficialmente, o prefeito Eduardo Paes culpa a construtora Concrejato por pendências trabalhistas. Nos bastidores, porém, o problema seria outro: falta de caixa.
Segundo apurou o jornal O Globo, a Prefeitura do Rio estaria tentando conter os gastos após uma queda na arrecadação em 2024, que resultou num rombo de R$ 690 milhões. A Concrejato, sem receber desde o fim do ano passado, cobra R$ 7,8 milhões em faturas atrasadas. Em meio ao impasse, a empresa chegou a retirar as telas de proteção da fachada do prédio — gesto que teria sido interpretado como forma de pressão. Após o estresse, parte da estrutura foi recolocada, mas os trabalhos continuam parados.
Prefeito nega problemas de caixa
Apesar do que anda correndo pelos bastidores, Eduardo Paes nega que a prefeitura estaria enfrentando problemas de caixa. Segundo o alcaide a afirmação seria parte de um lobby da Concrejato e estaria ligada a uma denúncia recebida pelo Executivo de que a empresa não estaria seguindo as leis trabalhistas, colocando a vida de trabalhadores em risco. “Em razão disso e para apuração mais detalhada, suspendemos os pagamentos à empresa”, afirma o prefeito em postagem no X (antigo Twitter).
Na publicação, Paes chega a citar que a empresa tem um “histórico de graves acidentes em suas obras” e relembrou o desabamento da ciclovia Niemeyer, em 2016, que levou à morte de duas pessoas. Ele afirma que só voltará a soltar a verba após terminada a apuração da denúncia recebida.
A obra na Leopoldina é parte do projeto de expansão do Porto Maravilha, com foco em São Cristóvão, e tem prazo de entrega previsto para 6 de novembro de 2026 — centenário da estação. Dado os últimos acontecimentos, parece que, como de costume, os cariocas terão que esperar um pouco mais.