O deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ) não poupou críticas ao prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), após a decisão do pedetista de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a divisão dos royalties do petróleo com os municípios vizinhos de São Gonçalo, Magé e Guapimirim. A reação veio em entrevista à rádio Tupi FM, onde o parlamentar classificou a postura do prefeito como “inimiga e covarde” com as populações mais vulneráveis da região.
“O que Rodrigo Neves está fazendo com o povo de São Gonçalo, Magé e Guapimirim é uma covardia. Ele está sendo inimigo das crianças, dos idosos, das pessoas que mais precisam”, afirmou Altineu.
A polêmica gira em torno da bilionária arrecadação com royalties. Niterói, Maricá e o Rio de Janeiro concentram cerca de R$ 7 bilhões por ano, enquanto São Gonçalo, Magé e Guapimirim recebem apenas R$ 400 milhões somados. No cálculo per capita, Niterói chega a R$ 12 mil por habitante, contra pouco mais de R$ 2,4 mil em São Gonçalo.
Segundo Altineu, uma redistribuição mais justa dos recursos — como propõem os municípios prejudicados — não comprometeria as finanças de Niterói, que continuaria com um dos maiores orçamentos per capita do país. “Se a divisão mudar, São Gonçalo passaria para R$ 3,5 mil por habitante e Niterói ainda ficaria com R$ 10,5 mil. Ainda teria três vezes mais. Que justiça é essa?”, questiona o deputado.
A discussão, para ele, vai além da matemática. “Não é só uma questão financeira. É uma questão moral, de justiça social e de solidariedade entre cidades que compartilham os mesmos desafios”, completou.
Enquanto o STF analisa o impasse, o tema segue inflamando os ânimos na Região Metropolitana do Rio, onde a desigualdade entre os municípios salta aos olhos e coloca em xeque o modelo atual de partilha dos royalties.