Capa do jornal Correio da Manhã faz homenagem a policiais mortos em combate e chama a atenção para o descaso de autoridades e da imprensa.
Por Carlos Cruz
O jornal Correio da Manhã publicou, nesta sexta-feira (11), uma de suas mais icônicas capas, em 122 anos de história. Em resposta a uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que “a polícia precisa saber diferenciar o criminoso do povo pobre e negro que circula nas ruas e que precisa ser tratado com respeito”, dada na última quinta-feira, durante visita do presidente ao estado, o periódico não se fez de rogado. Tascou uma capa com a foto de 24 polícias mortos em serviço nos anos de 2022 e 2023 e a frase: “Lula, esta é a verdade sobre a Polícia Militar nas ruas do Rio, que parte da mídia e a política tentam esconder ou menosprezar. São heróis que nunca mais poderão comemorar o Dia dos Pais. Eles precisam ser honrados pelos sacrifícios nas ruas em defesa da sociedade”.
De acordo com o último levantamento do Instituto Monte Castelo, um instituto de pesquisa em políticas públicas, o número de policiais da ativa assassinados no Brasil voltou a crescer em 2022, após uma queda em 2021. Ao longo do ano passado, 142 agentes de segurança foram mortos: 119 policiais militares, 19 policiais civis, três policiais rodoviários federais e um policial federal. O número é 4,4% maior que em 2021, quando 136 policiais foram mortos, mas 19,3% menor se comparado à edição do estudo com dados de 2020, quando ocorreram 176 assassinatos de policiais.
Os estados do Rio de Janeiro (31 mortes), São Paulo (24) e Pernambuco (13) aparecem no topo da lista em números absolutos. Os três também ocupam os primeiros lugares em números relativos à população, seguidos por Pará e Bahia.
Apesar do aumento, o levantamento traz uma boa notícia: o total de policiais mortos caiu no Rio de Janeiro, o estado que tradicionalmente tem o maior número de assassinatos. Foram 44 mortes em 2020, 41 em 2021 e 31 em 2022. Em um ano, a redução foi de 24,4%.