Com informações do Diário do Rio. No coração do Centro do Rio, a Rua Primeiro de Março segue dando sinais de vitalidade, mesclando tradição e reinvenção. E um dos símbolos mais evidentes disso é o conjunto histórico que abrigou a Casa Granado, antiga farmácia da Família Imperial e hoje marca internacional de cosméticos.
A loja principal da marca, no número 16, segue aberta, restaurada e fotogênica. Mas os imóveis vizinhos — nos números 14 e 18 — revelam outra face dessa história. O nº 14, completamente recuperado, abriga hoje uma produtora cultural voltada para economia criativa. Já o sobrado nº 18, com fachada salmão e o brasão da Granado no alto, está disponível para locação, com 800 m², quatro andares, tombamento pelo Iphan e ligação direta com o Arco do Teles.
Segundo Érica Neves, da Sérgio Castro Imóveis, responsável pela locação, o proprietário oferece carência para reformas, e a expectativa é atrair algum projeto à altura do potencial histórico e comercial do imóvel.
A movimentação não é isolada. Com o avanço dos programas Reviver Centro e Reviver Cultural, a região voltou a atrair novos negócios e público, especialmente aos fins de semana, com cafés, livrarias, feiras de rua e eventos culturais. O entorno da Praça XV e da Rua do Ouvidor, aos poucos, retoma o fôlego — e o mercado imobiliário de olho no fluxo.
A própria Rua Primeiro de Março, berço da cidade colonial (quando ainda se chamava Rua Direita), ganhou o título oficial de “bairro imperial” e vem sendo redescoberta por quem aposta na memória como ativo econômico.
Mais que nostalgia, trata-se de estratégia urbana: transformar história em valor, conectando passado e presente. A Granado permanece ali como prova viva de que raízes bem fincadas podem, sim, florescer de novo.