Enquanto Cuba vive apagões, escassez de alimentos e colapso econômico, um conglomerado ligado às Forças Armadas concentra bilhões de dólares longe de qualquer fiscalização. A holding Gaesa (Grupo de Administración Empresarial S.A.) atua de forma praticamente invisível, sem site oficial, sem prestação pública de contas e fora do orçamento estatal. As informações são da BBC.
A empresa controla os setores mais lucrativos da ilha, como turismo, comércio exterior, remessas financeiras e até missões médicas internacionais, sem ser auditada pela Assembleia Nacional ou por órgãos de controle.
Dados vazados indicam que, em 2024, a Gaesa acumulava ao menos US$ 17,9 bilhões em ativos (cerca de R$ 89 bilhões), com mais de US$ 14 bilhões mantidos em contas bancárias. O volume supera, por exemplo, as reservas internacionais de países como Paraguai e República Dominicana.
A estrutura funciona como um verdadeiro monopólio dentro do regime socialista cubano. Embora vinculada às Forças Armadas Revolucionárias, a holding não responde diretamente nem ao governo civil nem ao próprio comando militar. Especialistas descrevem o grupo como uma “economia paralela” que concentra até 40% do PIB do país.
O modelo permite à Gaesa operar com vantagens únicas: receitas em dólar e custos em moeda local desvalorizada, além da ausência de concorrência. Enquanto isso, setores essenciais como agricultura, energia e infraestrutura seguem com investimentos reduzidos, agravando a crise enfrentada pela população.
Estima-se que quase 90% dos cubanos vivam hoje em condições de pobreza ou sobrevivência, cenário que contrasta com a expansão de hotéis de luxo administrados pelo próprio conglomerado em Havana.
A origem da Gaesa remonta aos anos 1990, mas foi durante o governo de Raúl Castro que o grupo se expandiu e passou a absorver empresas estratégicas do Estado, incluindo bancos, operadoras de telecomunicação e redes de comércio.
Apesar do tamanho e da influência, a estrutura de comando permanece fechada. Investigações apontam que o controle está concentrado em um grupo reduzido ligado à elite política e familiar do regime, com uso de redes empresariais em paraísos fiscais para dificultar o rastreamento dos recursos.
O resultado é um sistema onde bilhões circulam fora do alcance público, enquanto a população enfrenta uma das piores crises econômicas da história recente do país.