No domingo (17/4), a jornalista Miriam Leitão revelou registros antigos do Superior Tribunal Militar que atestam tortura na ditadura
O vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) afirmou, na manhã desta segunda-feira (18/4), que não há o que apurar sobre os áudios do Superior Tribunal Militar (STM) que atestam a prática de tortura na ditadura militar. As gravações foram reveladas pela jornalista Miriam Leitão, no domingo (17/4).
A reportagem da jornalista, que foi uma das vítimas de tortura pela ditadura de 1964, traz 10 mil horas de gravações feitas durante os 10 anos em que as sessões do STM foram registradas, inclusive as secretas. As audiências ocorreram entre 1975 e 1985 (confira os áudios aqui).
O historiador Carlos Fico teve acesso a elas, e Miriam Leitão publicou os documentos em áudio. Trechos inéditos mostram os ministros do tribunal falando sobre torturas.
Mourão ainda defendeu que, ao relembrar o episódio que matou e sumiu com ao menos 500 pessoas entre 1964 e 1988, deve-se ouvir os “dois lados”.
O vice-presidente ainda comparou a ditadura militar no Brasil com o atual conflito diplomático entre Rússia e Ucrânia, que perdura desde 24 de fevereiro.
“Houve excessos? Houve excesso de parte a parte. Não, não vamos esquecer o tenente Alberto lá da PM de São Paulo morto a coronhada pelo Lamarca e os facínoras dele, né? Então, toda vez que há uma guerra, a coisa é complicada. Vocês estão vendo agora no conflito lá na Ucrânia, todas as coisas que estão acontecendo lá”, argumentou.