A cena é absurda, mas aconteceu de verdade — e foi filmada. O episódio, que voltou a circular recentemente nas redes sociais, mostra um a um funcionários de um banco chinês subindo ao palco, explicando por que não alcançaram a meta e, diante de todos, sendo espancados com um bastão de madeira. O caso aconteceu em Changzhi, no norte da China, e expõe com brutalidade até onde pode chegar a lógica de terror embutida no sistema de metas de um regime autoritário, especialmente para quem romantiza o país.
As imagens, registradas por celular e divulgadas por um jornal local, mostram os trabalhadores — cabisbaixos — sendo forçados a admitir que falharam por falta de esforço, coragem ou colaboração. Logo em seguida, vem o “treinamento”: pancadas e humilhação pública como resposta à baixa produtividade.
A sessão de agressões fazia parte de um “curso motivacional” promovido por uma empresa terceirizada contratada pelo banco. Segundo a imprensa local, além das surras, o programa previa até raspar o cabelo dos que não atingissem os resultados exigidos.
À época, o vídeo gerou revolta nas redes sociais e levou à abertura de uma investigação. O homem que aplicou os castigos pediu desculpas, dois diretores do banco foram suspensos e a instituição informou que discutiu indenizações com os oito funcionários agredidos — quatro homens e quatro mulheres.
Mesmo nove anos após o ocorrido, em junho de 2016, o caso voltou a circular nas redes e reacendeu a indignação. Quase uma década e a motivação que ficou foi o medo e o trauma — e o vídeo, uma lembrança permanente do que significa fracassar em certos regimes. É o retrato cru de um sistema onde falhar custa caro, e o medo se impõe como ferramenta de controle. Uma lembrança incômoda, mas necessária, de que nem todo “modelo de produtividade” deve servir de exemplo.