Celular de primeiro-ministro da Espanha foi invadido com software israelense, diz governo do país

Informações do telefone pessoal de Pedro Sánchez foram vazadas após ser infectado com Pegasus. Há duas semanas, separatistas catalães acusaram o governo espanhol de usar o mesmo programa em líderes do movimento. Madri nega.

Foto: Reuters

Via g1


O serviço secreto da Espanha detectou que o celular do primeiro-ministro do país, Pedro Sánchez, e da ministra da Defesa, Margarita Robles, foram infectados com o software israelense de espionagem Pegasus.


Segundo o governo, o celular de Sánchez foi infectado em maio do ano passado, e ao menos um vazamento de dados ocorreu desde então. As autoridades não disseram se consideram algum grupo suspeito da espionagem.


Em abril, o governo espanhol foi acusado pelo movimento separatista da Catalunha, uma das regiões do país, de ter espionado celulares de líderes do movimento com o mesmo software, que só pode ser adquirido por Estados ou governos. Madri negou.


"As intervenções foram ilícitas e externas, o que quer dizer que foram feitas por grupos não oficiais e sem autorização", afirmou o ministro da Presidência, Felix Bolanos.

A Audiencia Nacional, a instância mais alta da justiça espanhola, vai investigar o caso.


Pressão dos separatistas


O anúncio ocorre em meio à pressão para que o governo socialista da Espanha explique o vazamento de dados de celulares de cerca de 60 pessoas ligadas ao movimento separatista da Catalunha, região no nordeste da Espanha onde parte da população apoia a independência do Estado espanhol.


Após a acusação feita pelos separatistas, um dos principais aliados de Pedro Sánchez no Parlamento, o partido de esquerda separatista catalão ERC anunciou que deixaria de apoiar o governo até que Madri tomasse medidas sobre a investigação.


A União Europeia vem debatendo o banimento do software israelense Pegasus, com o argumento de que governos estão fazendo uso abusivo do programa para espiar ativistas, jornalistas e políticos.

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