Ciro diz que legalizar aborto não é tarefa de presidente

Ciro citou fala do ex-presidente Lula que afirmou que aborto deveria ser 'questão de saúde pública'. Evento aconteceu neste sábado(30), em Brasília.

Foto: Luiz Felipe Barbiéri/g1

Via g1


O pré-candidato do PDT à presidência da República, Ciro Gomes, disse neste sábado (30), em Brasília, que a legalização do aborto não é tarefa do presidente da República.


Ciro deu a declaração durante convenção nacional dos Cristãos Trabalhistas, movimento criado dentro do PDT que tem, entre outros objetivos, a ideia de levar o projeto de Ciro para dentro das igrejas católicas e evangélicas.


Em seu discurso, o pré-candidato citou uma fala do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que defendeu no início do mês que o aborto "deveria ser transformado numa questão de saúde pública e todo mundo ter direito".


“Chega na véspera da eleição o Lula vem, descuidadamente, e diz ‘todo mundo deveria ter direito ao aborto’. Como assim cara pálida? Que leviandade, que pressa, que contradição. Não foi ele que mandou no brasil por 14 anos, ele próprio 8 anos presidente, não mexeu uma palha no assunto?”, afirmou.

“Eu não o condeno por isso, porque não é tarefa do presidente. Isso é um trauma que qualquer sociedade humana não sabe como resolver. Não sabe pura e simplesmente”, disse Ciro.


O pré-candidato já defendeu em outras oportunidades que essa discussão cabe ao Congresso Nacional e não ao Poder Executivo.


Eleições


Ao final do evento, Ciro foi questionado sobre as alianças em torno de sua candidatura à presidência. Ele afirmou que está aberto ao diálogo com o “centro democrático”, mas disse ser “improvável” uma aliança com João Doria, pré-candidato do PSDB ao Planalto.


"Há uma distância muito grande entre o que eu penso e o que o Doria pensa, por exemplo. É quase improvável, mas a gente tem que dialogar, não estou excluindo o diálogo, mas é muito improvável pela distância”, afirmou Ciro.


O pré-candidato disse ainda que é contra às pautas que Doria defende, como a privatização da Eletrobras e a política de preços da Petrobras e praticamente descartou uma aproximação com o tucano.


Ciro também criticou a aliança entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que será vice do pré-candidato do PT nas eleições deste ano.


“Não sou o Lula para passar 25 anos esculhambando o Alckmin, chamando de ladrão e depois me reunir em nome de um conchavo vergonhoso. Não sou o Lula, não vou vender alma pra ser presidente do Brasil", disse.


Cristãos trabalhistas


Os “Cristão Trabalhistas” lançaram durante a convenção nacional do movimento a cartilha do grupo chamada de Fundamentos Éticos do Trabalhismo Cristão.


No documento, o presidente do PDT, Carlos Lupi, diz que o avanço da extrema direita cooptou e tenta se apropriar de segmentos da sociedade, como o cristianismo.


“Querem impor a ideia de que todo cristão, sobretudo os evangélicos, é conservador e de direita, mas isso não é verdade”, disse no documento.


“A postura odienta da direita, que se apossou de grupos cristãos para se perpetuar no poder, é antagônica ao cristianismo. Jesus não acusava e não ensinou a demonizar outras manifestações de fé, tampouco apontava o dedo para os pecadores ou promovia seu linchamento”, afirmou Lupi.


O pré-candidato Ciro Gomes também escreveu parte da cartilha e disse que, embora o estado seja laico, Bíblia e Constituição não são conflitantes e falou em “moderação e realismo” para “reconstruir o Brasil”.


“O que isto tem a ver com a política? Tudo. Porque a boa política, além de ser semeadora de sonhos, é a alavanca do destino coletivo e das liberdades individuais, e esse sonho se desfaz se o mundo não oferece condições materiais e espirituais para ele florescer e frutificar”, disse Ciro.

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