Estudante morre após policial reagir a arrastão em SP

Segundo a Polícia Civil, policial militar atirou três vezes e atingiu o suspeito, que foi preso, matou Ingrid Reis Santos e baleou outra jovem.

Foto: Reprodução/TV Globo

Via g1


Uma estudante de 21 anos morreu e uma mulher de 22 anos foi baleada após um policial militar de folga e sem uniforme reagir a uma tentativa de assalto na noite de segunda-feira (11) no Centro de São Paulo.


O suspeito do roubo ao agente da Polícia Militar (PM) também foi ferido, nas nádegas, e acabou preso pela Polícia Civil. Ele tem 19 anos. O agente de 24 anos foi detido em flagrante e indiciado por homicídio culposo, aquele no qual não há a intenção de matar, pela morte de Ingrid Reis Santos.


De acordo com a investigação policial, o PM sacou a arma e atirou no suspeito, na jovem que morreu e na outra vítima ferida. As duas mulheres passavam pela calçada da Rua Vitória, próximo à Avenida Rio Branco, quando foram atingidas pelos disparos.


A Polícia Civil ainda arbitrou uma fiança de R$ 10 mil para o policial militar responder ao crime de homicídio culposo em liberdade. Mas até a última atualização desta reportagem não havia confirmação se ele pagou o valor e se foi solto.


Ingrid Reis Santos foi atingida no peito. Ela chegou a ser socorrida por uma ambulância até o Pronto Socorro da Santa Casa de Misericórdia, onde não resistiu ao ferimento e morreu. A outra mulher baleada foi para o mesmo hospital com um ferimento na barriga. Ela teria tido alta durante a madrugada para dar seu depoimento sobre o que viu na delegacia que investiga o caso.

Procurada pela reportagem, a Santa Casa informou que não divulga dados de pacientes sem a autorização da família.


O pai de Ingrid é dono de um bar perto do local onde ela foi morta. A família mora na região central. Testemunhas contaram que a estudante tinha ido pegar uma chave no estabelecimento e estava a caminho do curso que frequenta à noite quando foi baleada. Nesta terça-feira (12) o bar não abriu. Estava com cartazes onde se lia "luto".


O que diz o PM


Foram feitos dois boletins de ocorrência sobre o caso que envolveu a tentativa de roubo e a morte de Ingrid. Inicialmente ele foi registrado no 2º Distrito Policial (DP), Bom Retiro, como roubo. O suspeito pelo crime foi indiciado e, ainda segundo o documento, o policial militar agiu em legítima defesa ao atirar.


Nesse boletim de ocorrência, o policial militar contou à Polícia Civil que estava em sua moto e atirou três vezes na direção do criminoso armado que o abordou no semáforo. Em seguida, o agente disse que ele e o criminoso ainda entraram em luta corporal e o bandido fugiu. Mas que conseguiu pegar a arma que ele usava e descobriu que ela era falsa.


Mas pelo fato de a morte de Ingrid ter ocorrido após a ação de um policial, o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) passou a investigar as causas e eventuais responsabilidades pela morte dela. Levado a essa delegacia, o policial militar se recusou a responder as perguntas do interrogatório. O agente acabou preso em flagrante por homicídio culposo.


Pela lei, o delegado responsável pelo indiciamento do PM ainda arbitrou uma fiança. A reportagem não conseguiu localizar a defesa do agente para comentar o assunto e saber se ele continuava detido.


Procurada para comentar o assunto, a Polícia Militar informou por meio de nota, divulgada nesta terça-feira (12) por sua assessoria de imprensa, que ainda apurava o que havia ocorrido.


"A Polícia Militar esclarece que o fato está ainda sob registro no DHPP onde um policial teria sido vitima de roubo, baleado um dos criminosos que foi preso, uma mulher ferida e outra morreu no local. Um outro criminoso teria fugido. Após o término do registro poderemos passar dados concretos sobre o fato", informa o comunicado da corporação.
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