Vice da Câmara diz que Bolsonaro o quer 'fora' do cargo

Em entrevista ao Jornal da CBN, o deputado federal Marcelo Ramos (PSD-AM) classificou como 'violência do Executivo' a pressão do presidente Jair Bolsonaro para sua retirada do cargo de vice-presidente da Câmara dos Deputados.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Via CBN


Aliados do presidente Jair Bolsonaro no PL pressionam o presidente da Câmara, Arthur Lira, para retirar Marcelo Ramos da vice-presidência da Casa. Ramos trocou o PL pelo PSD após a filiação de Bolsonaro à legenda e tem sido oposição ao chefe do Executivo na Mesa Diretora. Para falar sobre o assunto, o Jornal da CBN recebeu o próprio o deputado, que criticou o movimento de Bolsonaro conta sua pessoa.


'A filiação do presidente Bolsonaro me fez troca de partido. Estamos em um país com 19 milhões de pessoas passando fome, 13 milhões de desempregados, inflação recorde, aumento do diesel, e a cabeça do presidente, que deveria estar em resolver esses problemas, está em trocar o vice-presidente da Câmara', questionou Ramos.

Diante da pressão, o deputado recorreu ao TSE para impedir que seja removido do cargo. O ministro Alexandre de Moraes concedeu uma liminar e oficiou o presidente da Câmara, Arthur Lira, a se abster de qualquer pedido do PL para trocar o amazonense da vice-presidência.


'Algumas pessoas que eu conversei achavam que eu não deveria ter judicializado, porque seria uma intervenção do Judiciário no Legislativo, e eu expliquei a todas que era necessário para evitar uma violência do Executivo contra o Legislativo', afirmou.

Ramos disse ainda que, embora o regimento da Câmara determine que um deputado perca o cargo na Mesa Diretora caso mude de partido, um precedente de 2016 decidiu que a vaga pertence ao bloco partidário e não à legenda.


'Como eu troquei de um partido para outro, do mesmo bloco partidário, obviamente, pelo precedente que existe na Mesa, não seria aplicado esse item do regimento. além disso, ainda há o fato de que o próprio PL, em tese, dono da vaga na Mesa, expressamente abriu mão de pedir essa vaga quando me concedeu a carta que autorizou minha desfiliação', argumentou.


Sobre o efeito político da sua eventual saída, o deputado amazonense se definiu como um crítico aos equívocos do governo federal.


'Eu mantenho uma voz de defesa intransigente da democracia e nós perderíamos isso na Mesa Diretora. No fundo, o problema não é que eu mudei de partido, o problema é que eu não sou lambaio do presidente Bolsonaro', afirmou.

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