PT aprova indicação de Geraldo Alckmin para ser vice de Lula

Partido também aprovou federação com PCdoB e PV em reunião do diretório nacional

Foto: Ricardo Stuckert

Via CNN


Em reunião do diretório nacional do PT realizada nesta quarta-feira (13), a executiva do partido aprovou o nome de Geraldo Alckmin (PSB) como pré-candidato à vice-Presidência da República na chapa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-governador paulista havia sido indicado pelo PSB na última sexta-feira (8).


Mais de 90 membros do diretório nacional petista estiveram presentes na sessão virtual a portas fechadas e avaliaram a carta de indicação assinada pelo presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira. O nome de Alckmin foi aprovado por 68 a 14 entre os petistas. Lula não participou porque retornava de Brasília a São Paulo.


Prevista inicialmente para o fim de abril, a cerimônia de lançamento da chapa Lula-Alckmin à Presidência da República foi adiada para 7 de maio.


Mais cedo, no mesmo encontro, a cúpula da legenda aprovou a formação de uma federação com o PCdoB e o PV. Dessa forma, os partidos irão atuar de forma unificada e permanente durante as eleições e no exercício da legislatura.


Na ocasião da oferta de seu nome para o PT, Alckmin declarou que desejada “somar esforços para a reconstrução do nosso país”, e afirmou que o governo Bolsonaro “atenta contra a democracia e as instituições.”


Além da confirmação da federação e da chapa Lula-Alckmin, o PT também apoiou a proposta de uma coligação nacional com o PSB. Os partidos trabalhavam inicialmente com a ideia de formar uma federação, mas as negociações não avançaram.


Na resolução que aprovou o nome do ex-governador paulista, o PT afirma que “a candidatura de Lula que tem reais possibilidades de aglutinar a maioria da sociedade” e que a política de alianças e táticas eleitorais do partido “apontam para a ampliação política necessária para derrotar Bolsonaro, num processo eleitoral que já se revela o mais duro desde a redemocratização do país”.


“Além de consolidar a unidade do campo popular, o PT deve buscar ampliar o apoio a Lula em outros setores políticos e sociais do campo democrático. A coligação nacional com o PSB […] será importante passo na direção almejada”, diz o documento.

A chapa Lula-Alckmin deverá ser formalmente oficializada nos dias 4 e 5 de junho, quando o PT fará seu Encontro Nacional.


Aliança entre antigos rivais


As conversas entre Lula e Alckmin para a composição da chapa eleitoral ocorrem há meses, e envolveram a saída do ex-governador paulista do PSDB, partido onde ficou por 33 anos.


Em 2006, ambos foram adversários na disputa à Presidência da República, quando trocaram uma série de acusações ao longo da campanha eleitoral. Naquela eleição, Lula ganhou de Alckmin no segundo turno com 60% dos votos válidos e seguiu para o seu segundo mandato.


No evento que marcou a indicação oficial de Alckmin a vice de Lula, o petista afirmou que uma aliança com o ex-governador e o PSB teria demonstrado “que é plenamente possível duas forças com projetos diferentes e princípios iguais se juntar na hora de interesse do povo brasileiro”.


Já Alckmin declarou: “Não é hora de egoísmo, é hora de generosidade, grandeza politica, desprendimento e união. Politica não é uma arte solitária. A força da política é centrípeta, e vamos somar esforços para a reconstrução do nosso país”.

Ao se referir à disputa eleitoral, o ex-governador paulista criticou a atual gestão de Jair Bolsonaro (PL) como “um governo que atenta contra a democracia e as instituições”.


Federações e coligações


As federações foram promulgadas pelo Congresso Nacional em setembro de 2021, na Reforma Eleitoral, e julgadas constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em fevereiro. A Corte também estendeu o prazo para registro das federações para até 31 de maio.


Ela permite que dois ou mais partidos atuem de forma unificada durante as eleições e na legislatura, devendo permanecer com a união por no mínimo quatro anos. A união das siglas será celebrada por prazo indeterminado, com cada uma conservando seu nome, número, filiados e o acesso ao fundo partidário ou fundo eleitoral.


Já as coligações, que serão autorizadas nas eleições 2022 somente para o pleito majoritário — ou seja, para disputas de governos estaduais, Senado ou Presidência da República —, são apoios entre os candidatos e partidos que podem ser celebrados de diferentes formas ao redor do país e que se mantêm limitados ao período eleitoral.


Pesquisas eleitorais


O ex-presidente Lula atualmente lidera as intenções de voto nas pesquisas eleitorais, sendo seguido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).


Na última pesquisa Quaest, divulgada na última quinta-feira (7), Lula obteve 44%, enquanto Bolsonaro figurou com 29%. Depois, aparecem Sergio Moro (União Brasil), com 6%; Ciro Gomes (PDT), 5%; André Janones (Avante), 3%; João Doria (PSDB), 1%; Simone Tebet (MDB), 1%.


Lula também tem favoritismo nos cenários de segundo turno. Na sondagem da Quaest, ele aparece à frente dos cinco adversários. Contra Bolsonaro, o petista tem 55% das intenções de voto, contra 34% do pré-candidato do PL.

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