Secretários municipais não aparecem para dar esclarecimentos à Comissão da Alerj

Deputados farão nova tentativa em reunião convocada pela Câmara Municipal de Petrópolis

Foto: Divulgação

Durante audiência pública realizada, nesta segunda-feira (25/04), na Câmara Municipal de Petrópolis, o relator da Comissão Especial da Alerj criada para acompanhar e fiscalizar os desdobramentos da tragédia na cidade, deputado estadual Marcus Vinícius (PTB) afirmou que não vai desistir de dar satisfações à população mesmo após os secretários municipais não terem atendido a convocação para prestarem esclarecimentos. Convocados pela Comissão, mais uma vez, os secretários municipais de Obras, Almir Schmidt, e de Assistência Social, Fernando Araújo, o Diretor do Departamento de Habitação, Mauricio Veiga, e a coordenadora municipal de Direitos Humanos, Karoline Cerqueira, não compareceram à audiência pública. Uma nova convocação, desta vez, realizada pela Câmara Municipal, foi marcada para a próxima segunda, dia 2 de maio.


"Mais de 90% das demandas expostas pelos moradores nesta audiência foram sobre aluguel social e, diante de mais esta ausência dos secretários municipais, sairemos daqui sem respostas. Mas não vamos desistir de dar satisfações à população. Na semana que vem, estaremos novamente aqui, em Petrópolis, trazendo esclarecimentos sobre as demandas que foram levantadas para provar que essa Comissão está realmente empenhada em cobrar soluções e fiscalizar o andamento das promessas que ainda não foram cumpridas", ressaltou o deputado Marcus Vinícius.

Antes da audiência, o presidente da Comissão, deputado Rodrigo Amorim, e demais membros, os deputados Marcelo Dino, Rosane Felix e Adriana Balthazar realizaram uma vistoria técnica nas áreas mais atingidas pelas chuvas e locais de doações da Prefeitura. Além de constatarem uma quantidade enorme de lixo nesses locais, os deputados encontraram dezenas de cestas básicas ainda não entregues à população mesmo com a data de entrega tendo sido realizada em 21 de fevereiro, seis dias após a tragédia. As cestas foram encontradas em um sindicato da iniciativa privada, indicando motivação duvidosa na escolha dos beneficiados pelas doações. Estima-se que 9 mil cestas básicas foram doadas pelo governo federal ao município.


"Embora as cestas tenham alimentos não perecíveis, o que me causa aflição é que esse tempo todo tem gente passando fome e as cestas não foram distribuídas. O mínimo que a Prefeitura poderia ter feito era ter criado um comitê para distribuição desses alimentos, ajudando de forma rápida quem mais precisa nesse momento tão difícil", afirmou a deputada Adriana Balthazar.


A deputada Rosane Felix, que solicitou um minuto de silêncio em memória de todas as famílias que perderam seus entes queridos na tragédia, cobrou liberdade para poder fiscalizar as ações da Prefeitura: "Ter clareza é mais importante do que ter informações. O que falta nesse momento é clareza. A convocação dos secretários por esta Comissão não é ilegal, principalmente, porque estamos vivendo um momento excepcional. Temos a liberdade de poder fiscalizar. A Prefeitura recebeu verbas estaduais e federais e a Alerj fez uma doação de R$30 milhões ao município. Então, somos bem-vindos na hora de fazer a doação, e não somos bem-vindos na hora de fiscalizar? O que vimos na Rua 24 de Maio foram dezenas e dezenas de sacolas de lixo. Queremos transparência e ter o poder de fiscalizar", ressaltou a parlamentar.


Além da presença de vereadores do município, a audiência contou com a participação de representantes do Tribunal de Contas do Estado, da Defensoria Pública, da Secretaria estadual de Assistência Social e de diversos moradores e representantes da sociedade civil.

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