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Programa de Conscientização dos efeitos nocivos do amianto será proposto no orçamento estadual

Programa de Conscientização dos efeitos nocivos do amianto será proposto no orçamento estadual

Em audiência pública da Comissão da Alerj do Cumpra-se, foi apresentado Projeto de Lei para criar o Programa Estadual da Desamiantagem.

Fonte: Alerj

O presidente da Comissão do Cumpra-se, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Carlos Minc (PSB), anunciou durante audiência pública, nesta terça-feira (07/11), que vai apresentar uma emenda parlamentar impositiva ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA 2.289/23) para criar um projeto de conscientização dos malefícios do amianto. A ideia foi proposta pela fundadora da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea), Fernanda Giannasi, que reiterou a urgência de informar à população dos perigos dessa fibra natural, ligada a diversas doenças como o câncer. Durante o evento, também foi apresentado o Projeto de Lei 1.409/23 que cria o Programa Estadual de Desamiantagem.

Segundo dados da Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade de Brasília (UnB), entre os anos de 1996 a 2017, foram registrados no Brasil 3.057 mortes por doenças relacionadas ao contato com o amianto. Fernanda Giannasi explicou que a proposta é informar aos trabalhadores e familiares que lidam com esse tipo de minério sobre os potenciais danos provocados e como as doenças causadas pela exposição a esse material devem ser tratadas. A fundadora da Abrea anunciou, ainda, que no próximo dia 27/11 será lançada uma cartilha explicando quais direitos essa população possui.

A procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT), Daniela Elbert, reforçou a necessidade de haver um programa de capacitação para que a população tenha noção da gravidade das consequências provocadas pelo manuseio do amianto. “Há falta de conscientização em todos os setores que fazem o uso do amianto. Quando falamos que existe um Programa Nacional de Banimento do Amianto, as pessoas nos perguntam do que se trata. As palavras de ordem são capacitação e conscientização também em relação ao descarte adequado do material”, pontuou.

Novo projeto de Lei

Em 2017, o uso do amianto foi proibido no Brasil pelo Supremo Tribunal Federal (STF), seguindo a aprovação da Lei Estadual 3.579/01 que já estabelecia essa mesma coibição no Rio. No entanto, Minc, disse que apesar da norma estar sendo cumprida desde sua sanção, ainda é preciso avançar na retirada desse material em instalações públicas e privadas do estado. “Apresentamos o Projeto de Lei 1.409/23, que já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), para viabilizar a supressão desse material em todo o estado, já que o contato com o minério pode ocasionar doenças anos depois”, disse Minc.

O texto da proposta determina a criação de um mapeamento dos locais onde há utilização do amianto; a elaboração de um manual de procedimento da retirada da substância, e um plano estratégico para a substituição gradual dos materiais que contenham amianto. Porém, para o vice-presidente da FioCruz, Hermano Castro, além disso é preciso estabelecer quem fará a fiscalização desta norma.

Em resposta, o presidente da comissão disse que o texto será aperfeiçoado com as emendas, inclusive, analisando por onde essa retirada deve começar. “A prioridade começa, por exemplo, pelas escolas, mas isso tudo será o passo seguinte. Temos que garantir também um equipamento específico para a extração desse material, se não a retirada será um problema ainda maior, com mais risco de contaminação. Além disso, vamos trazer para dentro do texto o conhecimento científico”, explicou Minc.

Trabalhadores em risco

Na reunião, o deputado também reclamou do não cumprimento da Lei 4.341/04 – que determina que empresas de fibrocimento sejam responsáveis pelo custeio do tratamento, acompanhamento e indenização pelos danos causados à saúde dos trabalhadores vítimas da exposição da fibra de amianto. “Vamos continuar fiscalizando e cobrando o cumprimento desta lei. Não é possível que as empresas não sejam penalizadas por essa prática. Inclusive vou propor uma alteração ao texto e acrescentar uma lista de doenças já comprovadamente causadas pelo amianto”, concluiu.

Também estiveram presentes na audiência pública o representante do Ministério da Saúde, Luiz Tenório; a pesquisadora da Fundacentro, Valéria Ramos Pinto; o coordenador de projetos da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb), Bernardo Ornellas; e o médico pneumologista e do trabalho da Universidade de São Paulo, Jefferson Pires de Freitas.

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