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Rio Babilônia: a cidade onde não se vive, apenas se sobrevive

Rio Babilônia: a cidade onde não se vive, apenas se sobrevive
Foto - Reprodução/Redes Sociais

Por Jefferson Lemos/Coisas da Política
“O Rio de Janeiro não é uma cidade que a gente vive, é uma cidade que a gente sobrevive.” A frase, dita pelo humorista Vinicius Antunes no velório do filho de 9 anos, morto junto da mãe em um acidente na Tijuca, resume com precisão o retrato cruel da capital fluminense. A tragédia não é apenas uma dor familiar, mas um símbolo da falência estrutural de uma metrópole que se vende como palco de megashows e carnaval, mas que na realidade se assemelha a uma Babilônia moderna, marcada pela desordem, pelo caos e pelo abandono.

Na Rua Conde de Bonfim, uma das mais movimentadas da Zona Norte, mãe e filho caíram de uma bicicleta elétrica e foram atropelados por um ônibus. O caso expôs a precariedade da mobilidade urbana carioca: vias esburacadas, ausência de ciclovias, trânsito desordenado e falta de planejamento. O protesto de ciclistas no local, com cruzes pintadas no asfalto e o pedido “Queremos ciclovia”, simboliza a luta por dignidade em uma cidade que insiste em sobreviver de improvisos.

Mas o acidente é apenas a ponta de um iceberg. O Rio real convive com o crescimento exponencial da população em situação de rua, hospitais públicos debilitados, desordem constante e uma sensação de abandono que atravessa todas as classes sociais. Enquanto autoridades exaltam o brilho do carnaval e dos megashows, a vida cotidiana é marcada por medo, precariedade e dor.

O Rio Babilônica é a metáfora perfeita: uma cidade que se ergue em meio ao caos, sem ordem pública, sem políticas consistentes e sem infraestrutura mínima para proteger seus cidadãos. A morte de Francisco e Emanoelle escancara que, por trás da fantasia vendida ao mundo, há uma metrópole onde cada deslocamento pode ser fatal e onde sobreviver já é um ato de resistência.

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