O Rio de Janeiro terminou 2023 com o dado mais cruel entre os estados brasileiros: foi o que mais registrou homicídios de crianças com até 4 anos. A estatística, divulgada nesta segunda-feira (13) pelo Atlas da Violência, expõe um cenário alarmante. Na média, uma criança dessa faixa etária é morta a cada duas semanas no estado.
Foram 24 bebês assassinados em um único ano, quase o dobro de 2022 e o segundo maior número da série histórica, atrás apenas de 2014 (26 casos).
“Não há dado mais cruel do que esse: o Rio liderar o ranking de homicídios de crianças de até quatro anos. Isso é um grito de socorro”, afirmou o vereador Leniel Borel (PP), pai do menino Henry Borel, morto aos 4 anos em 2021 — crime que chocou o país e impulsionou a criação da Lei Henry Borel, um marco na proteção infantil, sancionada em 2022.
“A infância virou alvo, e o Estado precisa acordar. Não é apenas uma crise de segurança — é uma falência na proteção mais básica: a vida de quem deveria ser intocável. Se isso não nos mobiliza, o que mais vai?”, declarou Leniel, que preside a Comissão Especial de Combate à Violência Infantil na Câmara do Rio.
O relatório aponta ainda que os lares se tornaram mais violentos após a pandemia, com agravamento das tensões familiares. A diretora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, alerta que “o espaço que deveria ser de proteção virou ambiente hostil”.
No caso do Rio, a violência urbana também pesa. Um exemplo foi o assassinato da menina Heloísa dos Santos Silva, de 3 anos, baleada por um agente da PRF no Arco Metropolitano, em setembro. Os policiais envolvidos respondem pelo crime.
Com números em alta e casos emblemáticos, o Rio expõe uma crise estrutural: crianças estão sendo mortas dentro de casa, no colo da família ou no banco traseiro do carro. O dado é claro — e inaceitável.