Com informações do Diário do Rio. O avanço das compras e transações pela internet também tem ampliado o número de fraudes digitais no país. No Rio de Janeiro, os registros mostram que esse tipo de crime cresce junto com o uso de plataformas online para pagamentos e compras.
Dados do Instituto de Segurança Pública apontam que o estado registrou 27.878 crimes em ambientes virtuais em 2024, o equivalente a uma ocorrência a cada 19 minutos. Os golpes ocorrem principalmente por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e anúncios patrocinados fraudulentos, em que criminosos utilizam perfis falsos, páginas clonadas ou mensagens enganosas para convencer vítimas a realizar pagamentos ou fornecer dados pessoais.
O cenário acompanha uma tendência nacional. Levantamento do Instituto Datafolha divulgado no fim de 2025 mostra que um em cada três brasileiros sofreu algum tipo de golpe financeiro virtual nos últimos 12 meses.
A expansão dessas fraudes também tem alimentado debates jurídicos sobre a responsabilidade das plataformas digitais. Muitos golpes acontecem dentro de ambientes administrados por grandes empresas de tecnologia, onde anúncios pagos ou perfis falsos conseguem alcançar um grande número de usuários.
Para Carmen Caroline, mestre em Direito e coordenadora do Núcleo de Práticas Jurídicas da Afya Unigranrio Nova Iguaçu, a análise da responsabilidade depende das circunstâncias de cada caso. “Quando uma empresa oferece um serviço digital que conecta consumidores e vendedores, ela também assume deveres relacionados à segurança do ambiente virtual. Em algumas situações, se ficar comprovado que houve falha na prevenção ou na retirada de conteúdos fraudulentos, pode haver responsabilidade da plataforma”, explica.
Especialistas também alertam que criminosos têm ampliado o uso de novas tecnologias para tornar os golpes mais convincentes. Segundo Victor Santos, CEO da Clavis Segurança da Informação, ferramentas de inteligência artificial vêm sendo usadas para criar anúncios falsos, mensagens automatizadas e até vídeos que imitam celebridades ou marcas conhecidas.
Entre as recomendações para evitar cair em golpes estão verificar a reputação de lojas online, desconfiar de ofertas com preços muito abaixo do mercado e evitar clicar diretamente em links recebidos por mensagens ou anúncios. Também é aconselhável conferir se o site possui certificado de segurança e evitar transferências imediatas por Pix para vendedores desconhecidos, priorizando meios de pagamento que ofereçam proteção ao consumidor.
Em caso de fraude, a orientação é registrar ocorrência e comunicar imediatamente o banco ou a instituição financeira responsável pela transação, além de procurar órgãos de defesa do consumidor ou assistência jurídica para avaliar eventuais responsabilidades das empresas envolvidas.