Uma vinícola badalada em Areal, na Região Serrana do Rio, virou alvo da Polícia Federal nesta quarta-feira (30) durante a Operação Fantasos, que investiga um esquema de pirâmide financeira com criptomoedas. Três integrantes da família Eloy, proprietária do empreendimento, são suspeitos de ajudar o brasileiro Douver Braga — preso nos Estados Unidos — a lavar dinheiro obtido ilegalmente. Com informações da coluna de Fábio Serapião, no Metrópoles.
Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis ligados à família e apreenderam dois carros de luxo, avaliados em R$ 1 milhão cada. Os Eloy administram uma vinícola voltada ao turismo de alto padrão, com tours guiados, degustações de vinhos e até planos para inaugurar um hotel no terreno em 2025. A inspiração declarada vem da Toscana, na Itália.
Segundo a investigação, a família é apontada como uma das parceiras de Douver Braga na ocultação de recursos vindos de golpes com bitcoins. Preso em fevereiro, após extradição da Suíça, Braga é fundador do Trade Coin Club (TCC), empresa que prometia lucros estratosféricos por meio de supostas operações automatizadas com criptomoedas. O prejuízo causado a mais de 100 mil clientes, segundo o Departamento de Justiça dos EUA, passa de US$ 290 milhões — cerca de R$ 1,6 bilhão.
A PF suspeita que, após retornar ao Brasil, Braga tenha usado empresas de fachada e acordos com empresários locais para lavar parte do dinheiro. A Operação Fantasos contou com apoio do FBI e envolveu cerca de 50 agentes, que também cumpriram ordens judiciais em Petrópolis e Angra dos Reis.