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Desvios no INSS: PF mira deputada e associação do Ceará em nova fase da Operação Sem Desconto

Desvios no INSS: PF mira deputada e associação do Ceará em nova fase da Operação Sem Desconto
Deputada Gorete Pereira (MDB-CE) suplente em exercício na Câmara dos Deputados em discurso em 2019 — Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Com informações do g1. A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (17), a Operação Indébito, nova fase da investigação que apura um esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social. A ação é um desdobramento da Operação Sem Desconto e mira a inserção de dados falsos em sistemas oficiais, além de fraudes que atingem diretamente beneficiários da Previdência.

Entre os alvos está a deputada federal Gorete Pereira, que passou a ser monitorada com tornozeleira eletrônica, segundo informações divulgadas pela TV Globo. A investigação aponta que a parlamentar teria ligação com associações utilizadas para viabilizar descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas, além de participação direta nas fraudes e recebimento de recursos provenientes do esquema. Também há suspeita de utilização de empresas registradas em nome de terceiros para operacionalizar as movimentações.

A operação cumpre 19 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão e medidas cautelares no Ceará e no Distrito Federal. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro André Mendonça, e contam com apoio de auditores da Controladoria-Geral da União.

Foram presos o empresário Natjo de Lima Pinheiro e a advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB). De acordo com relatório da PF apresentado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, Natjo teria sido beneficiário de cerca de R$ 400 mil oriundos de operações ligadas às empresas de Cecília, apontada como uma das operadoras do esquema.

Cecília Rodrigues Mota já havia prestado depoimento à CPMI do INSS em novembro de 2025. Na ocasião, admitiu conhecer parte dos investigados, reconheceu ser proprietária de empresas suspeitas de lavagem de dinheiro e confirmou ter movimentado valores milionários, mas negou irregularidades na origem dos recursos.

Segundo a Polícia Federal, a operação busca aprofundar a apuração de crimes como organização criminosa, estelionato previdenciário, inserção de dados falsos em sistemas públicos e ocultação de patrimônio.

Reportagem em atualização.

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