Política

Não há limite para a corrupção: relatórios do Coaf viram instrumento de extorsão policial em SP

Não há limite para a corrupção: relatórios do Coaf viram instrumento de extorsão policial em SP
Segundo autoridades, documentos fiscais se tornaram uma das principais formas de policiais corruptos praticarem extorsão no estado. | Divulgação/SSP-SP

Relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, criados para combater a corrupção e crime organizado, passaram a ser usados como ferramenta de extorsão por policiais civis em São Paulo. A prática foi identificada por órgãos como o Ministério Público, a Polícia Federal e a própria Polícia Civil, que investigam o esquema. Com informações da Folha.

Segundo as apurações, os documentos com dados sobre movimentações bancárias atípicas se tornaram uma espécie de “mina de ouro” para agentes corruptos. O mecanismo funciona com a solicitação formal dos relatórios, que são inseridos em investigações principais. A partir daí, policiais abrem procedimentos paralelos contra pessoas que tiveram qualquer relação financeira com o alvo inicial.

Esses novos investigados passam a ser intimados, muitas vezes de forma informal, e pressionados com a possibilidade de abertura de inquérito. Em troca do arquivamento ou da não evolução da investigação, é exigido pagamento de propina. Em alguns casos, os relatórios sequer são anexados aos processos principais e servem apenas como instrumento de pressão.

Parte do esquema veio à tona após a Operação Bazaar, que resultou na prisão de um delegado, dois investigadores e um escrivão no início de março. Outros dois policiais foram afastados por decisão judicial, a pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado.

As investigações indicam que o uso da chamada Investigação Preliminar Sumária, um procedimento administrativo mais flexível dentro da Polícia Civil, facilita os desvios. Como esse tipo de apuração pode tramitar fora de sistemas digitais e até em papel, o controle sobre os procedimentos se torna limitado, abrindo espaço para irregularidades.

Também há suspeitas envolvendo a manipulação de materiais apreendidos em operações. Segundo investigadores, objetos recolhidos nem sempre são registrados imediatamente, o que levanta dúvidas sobre a integridade das provas e possíveis desvios.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que irregularidades são apuradas com rigor pela Corregedoria, com responsabilização administrativa, civil e criminal quando comprovadas. A pasta afirma ainda que instaurou mais de 2.400 inquéritos, resultando na prisão de 170 agentes e na demissão de outros 70.

O governo estadual também anunciou a reestruturação da Unidade de Gestão de Integridade, responsável pelo controle das polícias, com a promessa de adoção de novos protocolos e medidas para prevenir desvios dentro das corporações.

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