Política

Mulheres viram foco de pré-candidatos enquanto feminicídio bate recorde no Brasil

Mulheres viram foco de pré-candidatos enquanto feminicídio bate recorde no Brasil
Pré candidatos para o cargo de Presidente da República esse ano. Arte: Reprodução

Maioria do eleitorado brasileiro, as mulheres entraram de vez no centro da disputa presidencial. A pouco mais de um mês do início da campanha, pré-candidatos ao Planalto intensificaram acenos ao público feminino, seja com propostas de segurança pública, combate ao feminicídio, escolha de vice ou tentativa de conter desgastes políticos. As informações são do Metrópoles.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, as mulheres representam 52,5% dos eleitores aptos a votar no país. Apesar disso, seguem sub-representadas no poder: ocupam apenas 18,1% das cadeiras da Câmara dos Deputados. No ranking global de representação feminina da ONU Mulheres, o Brasil aparece na 133ª posição.

O movimento ocorre em meio ao avanço da violência contra mulheres. No primeiro trimestre de 2026, o país registrou 399 feminicídios, alta de 7,55% em relação ao mesmo período do ano passado. Foi o trimestre mais letal desde o início da série histórica do Sinesp, em 2015.

Lula tem usado o tema como uma das vitrines da pré-campanha à reeleição. Desde o fim do ano passado, passou a incluir com frequência o combate à violência contra a mulher em discursos públicos. Em fevereiro, o governo participou do lançamento do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, com Executivo, Legislativo e Judiciário.

Flávio Bolsonaro também tenta se aproximar do eleitorado feminino, mas enfrenta obstáculos. A pré-campanha avalia escolher uma mulher como vice e prepara o lançamento do plano Brasil Por Elas, com foco em segurança pública. O movimento ganhou mais peso após a crise pública entre Flávio e Michelle Bolsonaro.

Ronaldo Caiado, pré-candidato pelo PSD, buscou marcar posição ao apoiar o projeto que criminaliza a misoginia. O texto em discussão na Câmara equipara a prática ao racismo, tornando o crime inafiançável e imprescritível.

Renan Santos, do Missão, também aposta na segurança pública. O líder do MBL defendeu legislação mais dura para crimes violentos e disse que menor de idade que cometer crime sexual contra mulher deve ser preso como adulto.

Romeu Zema, do Novo, tenta ampliar acenos após críticas por associar mulheres ao trabalho doméstico. Entre as propostas já defendidas estão aumento de pena para feminicídio e castração química para estupradores.

Com cinco homens entre os presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas, o voto feminino virou disputa obrigatória. A diferença é que, agora, o discurso terá de enfrentar uma realidade difícil de maquiar: as mulheres são maioria nas urnas, mas continuam minoria no poder e alvo crescente da violência.

ACESSO RÁPIDO
    Inscrever-se
    Notificar de
    guest
    0 Comentários
    mais antigos
    mais recentes Mais votado

    Leia também