Nem dentro do Tribunal do Júri a intimidação deu trégua. Um homem acusado de integrar uma milícia em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, ameaçou de morte o delegado da Polícia Civil Leonardo Affonso Dantas dos Santos durante o próprio julgamento, na última terça-feira (25).
Segundo o delegado, Ronan Azevedo Bento virou-se em sua direção no plenário, disse “vou te pegar” e fez gestos ameaçadores enquanto o policial prestava depoimento como testemunha. A juíza Juliana Bessa Ferraz Krykhtine determinou imediatamente a retirada do réu da sessão.
Ronan e Anderson Cabral Pereira, conhecido como Sássa, respondem pelo homicídio triplamente qualificado de Douglas Quintino Ribeiro. De acordo com as investigações, os dois seriam integrantes de uma milícia que atuava em bairros de São Gonçalo, extorquindo moradores e comerciantes e praticando homicídios para impor medo e garantir a cobrança de taxas.
Os acusados já acumulam condenações pesadas em outro processo: Ronan foi sentenciado a 112 anos de prisão e Sássa, a 130 anos.
Após o episódio no tribunal, Leonardo Dantas registrou ocorrência pela ameaça. O Ministério Público do Rio também pediu à Justiça a adoção de medidas de proteção institucional. Para a promotora Silvia Regina Aquino do Amaral, a conduta representa uma “verdadeira tentativa de intimidação dirigida contra testemunha de acusação”.
O julgamento não chegou ao fim. Durante o interrogatório, Ronan dispensou a Defensoria Pública, enquanto a defesa de Sássa alegou que os jurados haviam sido influenciados pela ameaça ocorrida no plenário. A sessão foi suspensa, e os dois réus receberam multa de R$ 10 mil cada por litigância de má-fé.
O novo julgamento foi marcado para 2 de dezembro de 2027.
Com informações do O Globo.