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De ‘musa da democracia’ ao legado da crise: decisões de Merkel cobram seu preço na Alemanha

De ‘musa da democracia’ ao legado da crise: decisões de Merkel cobram seu preço na Alemanha
Foto - Arquivo/EBC

Durante 16 anos no poder, Angela Merkel foi apresentada como um dos principais símbolos de estabilidade política da Europa. Cinco anos após deixar o governo, porém, decisões tomadas durante sua gestão voltaram ao centro das críticas diante das dificuldades econômicas da Alemanha. A dependência do gás russo, o abandono da energia nuclear e a política migratória de 2015 alimentam o debate sobre os efeitos de longo prazo de seu governo.

Uma das decisões mais controversas ocorreu em 2011, quando Merkel acelerou o fechamento das usinas nucleares após o desastre de Fukushima, no Japão. A medida, apoiada por setores ambientalistas e por parte da população alemã, estabeleceu a retirada gradual de uma fonte de eletricidade de baixa emissão de carbono. O país desligou seus últimos reatores em abril de 2023, em meio à crise energética europeia.

O problema ganhou dimensão geopolítica com a dependência alemã do gás natural russo, que representava 55% das importações do combustível em 2021. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, a redução do fornecimento provocou uma disparada dos preços da energia e pressionou famílias e indústrias. O governo precisou recorrer temporariamente a usinas de carvão, enquanto buscava novos fornecedores e acelerava investimentos em fontes renováveis.

A política migratória também permanece no centro das discussões. Em 2015, a Alemanha recebeu mais de um milhão de refugiados e solicitantes de asilo, principalmente em meio aos conflitos no Oriente Médio. A decisão de Merkel, inicialmente elogiada por seu caráter humanitário, exigiu investimentos em moradia, educação e integração social. O episódio também aprofundou disputas políticas sobre imigração, segurança e capacidade dos serviços públicos.

Críticos da ex-chanceler sustentam que seu governo subestimou os riscos da dependência energética e as dificuldades de integração dos recém-chegados. Defensores de Merkel, por outro lado, destacam a expansão das energias renováveis, a resposta humanitária à crise migratória e os desafios econômicos e geopolíticos que surgiram após sua saída do poder.

A Alemanha enfrenta agora o desafio de recuperar a competitividade industrial, reduzir os custos da energia e administrar tensões sociais. Embora esses problemas tenham múltiplas causas, as escolhas feitas durante os 16 anos de Merkel no governo continuam influenciando o futuro da maior economia da Europa.

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