A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, sofreu um ataque hacker que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões, aproximadamente R$ 34 bilhões, nesta quinta-feira (29). Os criminosos desviaram a maior parte dos recursos em apenas 20 minutos, em uma invasão considerada a maior já registrada no setor. Empresas especializadas em segurança digital suspeitam de hackers ligados à Coreia do Norte, mas a autoria ainda não foi confirmada.
O ataque atingiu uma plataforma que reúne 335 milhões de usuários cadastrados e administrava cerca de US$ 162,8 bilhões em ativos digitais, segundo dados divulgados pela própria Binance em 2025. A corretora suspendeu temporariamente os saques, prometeu cobrir os prejuízos e garantiu que os recursos dos clientes estão protegidos. A previsão anunciada pela empresa é de retomada do serviço em até 45 horas.
As investigações apontam que os hackers comprometeram mecanismos responsáveis por autorizar transferências de criptomoedas. Inicialmente, a Binance suspeitou da invasão do computador de um engenheiro, mas posteriormente identificou outras possíveis falhas de segurança. Após o roubo, os criminosos começaram a transferir rapidamente os valores entre diferentes carteiras digitais para dificultar o rastreamento.
Até o momento, aproximadamente US$ 3 bilhões, equivalentes a R$ 16,2 bilhões, foram localizados. Parte desse dinheiro já foi bloqueada por empresas responsáveis pela emissão de criptomoedas estáveis, conhecidas como stablecoins. A Tether congelou quase US$ 1,57 bilhão, a Circle bloqueou mais de US$ 800 milhões e a Ripple impediu a movimentação de aproximadamente US$ 200 milhões.
O bloqueio, porém, não significa que os valores tenham sido recuperados. Segundo a TRM Labs, cerca de US$ 2,4 bilhões em Bitcoin e Ether podem estar fora do alcance imediato das medidas de congelamento, já que essas criptomoedas não possuem uma autoridade central capaz de interromper diretamente as transferências.
As empresas americanas TRM Labs e Chainalysis identificaram semelhanças entre a invasão e ataques anteriores atribuídos a grupos ligados à Coreia do Norte. Uma das referências é o roubo à corretora Bybit, em 2025, cuja autoria foi atribuída pelo FBI a criminosos norte-coreanos. A Binance ressaltou que ainda não identificou oficialmente os responsáveis pelo novo ataque.
“Este foi um ataque complexo e estamos fazendo tudo o que podemos, em coordenação com as autoridades, para resolvê-lo”, afirmou a corretora. Para cobrir as perdas, a empresa pretende utilizar recursos próprios e seu fundo emergencial de proteção aos usuários, conhecido como SAFU, que possui aproximadamente US$ 1 bilhão em Bitcoin.
A notícia provocou uma queda nas principais criptomoedas nesta sexta-feira (30). O Bitcoin recuou mais de 3%, chegando a US$ 77.356,60, seu menor valor em seis semanas. O Ether também caiu mais de 3%, para US$ 2.178, enquanto o BNB, moeda digital ligada à Binance, perdeu 5% em 24 horas.
O impacto chegou às bolsas americanas. As ações da Coinbase recuaram 4,8%, enquanto os papéis da Strategy, empresa conhecida por seus investimentos em Bitcoin, caíram quase 6% nas negociações após o fechamento do mercado. A Coinbase informou que não foi afetada pela invasão.
O episódio amplia a preocupação com a segurança do mercado de ativos digitais. Somente em 2025, criminosos roubaram aproximadamente US$ 2,9 bilhões em quase 150 ataques, segundo levantamento da TRM Labs. O valor desviado da Binance em uma única ação supera o total registrado em todo o ano passado.
Com informações da Reuters.