O que era para ser um dos cenários mais icônicos e democráticos do Rio de Janeiro se tornou palco de uma disputa de território com tons preocupantes. O montanhista e vendedor Tony “Curtição” veio a público denunciar que está sendo impedido de trabalhar na Carrasqueira, trecho mais desafiador da trilha. Segundo ele, seus equipamentos foram retirados à força, grampos arrancados e, por não recuar, teria sido ameaçado de morte.
Em vídeos publicados nesta quinta (6) e sexta-feira (7) nas redes sociais, Tony mostra um homem, suposto responsável pela locação de equipamentos de rapel no local, segurando seu material e afirmando que ele não poderia mais atuar ali. “Tá tirando meu grampo, tá com meu material na mão, falou que eu não vou trabalhar”, afirma no vídeo. O montanhista relata que o caso vai além de um simples desentendimento: trata-se de uma tentativa de monopolizar o acesso e a exploração econômica da trilha.
A Carrasqueira é um trecho de aproximadamente 30 metros de escalada na Pedra da Gávea, exigindo cordas e equipamentos de segurança para evitar quedas fatais. O montanhista, que já protagonizou resgates de turistas abandonados na trilha, diz que a situação passou do limite. “Fui impedido de trabalhar, fui ameaçado de morte. Ele falou que eu sairia daqui de saco preto”, afirmou em um dos vídeos.
Tony, que se tornou conhecido por vender sacolés no topo da Pedra e ajudar trilheiros desidratados, afirma que sempre auxiliou as pessoas sem cobrar nada, o que pode ter incomodado interesses comerciais. “Quantas pessoas já salvei na Carrasqueira sem custo algum? Evitei resgates, dei água pra quem precisava. Mas mexi no bolso de muita gente”, desabafa. Ele também alega que a direção do Parque Nacional da Tijuca havia garantido seu direito de trabalhar na Pedra, mas, na prática, ele segue sendo barrado.
Nos últimos anos, a disputa comercial por serviços na Pedra da Gávea se intensificou. Segundo o montanhista, há um esquema de cobrança para que guias possam operar no local, algo que ele sempre se recusou a fazer. “Eu tinha que pagar R$ 150 para trabalhar pelo ponto. Um fiscal que é amigo do cara que está no vídeo está no esquema, e infelizmente mexi com gente grande”, afirmou.
Nesta sexta-feira (7), Tony afirmou que voltaria a registrar um novo boletim de ocorrência, após ser mais uma vez impedido de atuar na trilha.
Entramos em contato com o Parque Nacional da Tijuca, mas até a publicação desta matéria, a administração não respondeu nossa solicitação. O espaço continua aberto para atualização.