Nesta quarta-feira (15), o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Gaeco, e a Polícia Civil deflagraram uma operação que mira o núcleo financeiro do Comando Vermelho. Conhecido como “Caixinha do CV”, o esquema movimentou R$ 21,5 milhões em mais de 4.800 transações ilícitas, destinadas a financiar as atividades criminosas da facção.
A ação, parte da Operação Torniquete, cumpre 14 mandados de prisão e ocorre em localidades estratégicas do Rio, como Bangu, Jacarepaguá, Copacabana e Engenho da Rainha, além de municípios na Bahia e Paraíba. Os alvos incluem operadores financeiros e familiares de líderes da facção, denunciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O esquema arrecada taxas mensais cobradas de líderes do tráfico nas comunidades dominadas pela facção. Em troca, os traficantes têm acesso à “marca” do Comando Vermelho, drogas, armamentos e suporte logístico. Parte dos recursos é destinada a financiar a expansão territorial da facção, o pagamento de propinas e assistência jurídica a membros presos.
Com base nas evidências apreendidas, foi apontado que os valores também sustentam crimes como roubo de cargas, veículos, extorsões e até serviços ilegais de internet. A estrutura organizada da “caixinha” permite à facção manter sua operação ativa e eficiente, mesmo em meio à repressão policial.
A investigação começou em 2019, após a prisão de Elton da Conceição na Cidade de Deus, em Jacarepaguá. A primeira fase da operação, deflagrada em 2020, concentrou-se na identificação do fluxo financeiro vinculado à facção. Essa etapa resultou no indiciamento de 84 pessoas e na apreensão de documentos que detalhavam o funcionamento do fundo financeiro que sustenta a organização criminosa.
Com autorização judicial, o Gaeco obteve quebras de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos. As análises realizadas pelo Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) permitiram identificar a rede de contas e pessoas interpostas que movimentavam os recursos ilícitos.
A Polícia Civil reforça que o desmantelamento desse tipo de estrutura é fundamental para enfraquecer o crime organizado, que se sustenta em recursos financeiros robustos e uma logística criminosa sofisticada.