O problema não é o cupom. É quem pode estar pagando a conta para conquistar o mercado brasileiro.
A chegada da Keeta, gigante chinesa da Meituan, colocou o iFood diante de uma guerra bilionária. De um lado, descontos agressivos, frete grátis e dinheiro para atrair restaurantes. Do outro, uma empresa dominante tentando defender seu território.
Para o consumidor, parece ótimo: comida mais barata e mais opções.
Mas a pergunta incômoda é outra: o que acontece quando a promoção acabar e um gigante estrangeiro já tiver conquistado consumidores, restaurantes, dados e logística?
O iFood levou a disputa ao Cade, acusando a Keeta de possíveis práticas de preços predatórios e dumping. Na Justiça, também surgiram acusações envolvendo suposta espionagem corporativa e recrutamento de funcionários estratégicos. Tudo ainda precisa ser apurado.
A preocupação é com uma estratégia conhecida no mundo dos negócios: entrar queimando dinheiro, ganhar mercado, esmagar concorrentes e só depois cobrar a conta.
E o prêmio não é pequeno.
Quem domina o delivery não controla apenas pedidos de pizza e hambúrguer. Controla dados de consumo, localização, preços, demanda, restaurantes e uma gigantesca rede logística.
É aí que mora o risco.
Se o mercado ficar concentrado nas mãos de uma plataforma estrangeira, o Brasil pode trocar a concorrência por dependência.
Hoje, o consumidor comemora o frete grátis.
Amanhã, pode descobrir que o preço mais caro não estava no pedido — estava na perda de autonomia.
E talvez o delivery seja apenas o começo.
Com informações do Coisas da Política.