Rio de Janeiro

STJ decide que aluguel por Airbnb em condomínios dependerá de aval de moradores

STJ decide que aluguel por Airbnb em condomínios dependerá de aval de moradores
Rio ocupa o sexto lugar no ranking mundial de cidades com mais anúncios ativos no Airbnb

O Superior Tribunal de Justiça decidiu nesta quinta-feira (08/05) que imóveis localizados em condomínios residenciais não poderão mais ser usados livremente para hospedagens de curta temporada por plataformas como Airbnb sem autorização formal dos moradores. A Corte fixou o entendimento de que esse tipo de exploração econômica descaracteriza a finalidade estritamente residencial dos edifícios e, por isso, depende da aprovação de ao menos dois terços dos condôminos em assembleia. As informações são do Diário do Rio.

A decisão foi tomada pela Segunda Seção do STJ, responsável por uniformizar a interpretação do direito privado no país, e deve impactar diretamente um mercado que explodiu nos últimos anos, especialmente em cidades turísticas como o Rio de Janeiro. O colegiado entendeu, por maioria, que a alta rotatividade de hóspedes transforma a dinâmica dos condomínios e aproxima a atividade de uma exploração comercial semelhante à hoteleira.

Na prática, o tribunal definiu que proprietários só poderão oferecer imóveis para estadias de curta duração caso a convenção condominial permita expressamente esse tipo de uso ou haja aprovação formal em assembleia com quórum qualificado de dois terços dos moradores. O entendimento encerra uma longa divergência jurídica sobre o tema, que vinha gerando disputas em condomínios de diferentes cidades brasileiras.

A discussão ganhou força justamente no Rio, uma das primeiras capitais do país a debater formas de regulamentação de plataformas de hospedagem temporária. A cidade vive um boom desse mercado impulsionado pelo turismo, pela valorização imobiliária e pela busca de renda extra por proprietários.

Hoje, o Rio ocupa o sexto lugar no ranking mundial de cidades com mais anúncios ativos no Airbnb, à frente de destinos internacionais como Roma e Dubai. Em 2025, anfitriões cariocas movimentaram cerca de R$ 1,7 bilhão em receitas dentro de um mercado nacional que somou aproximadamente R$ 18 bilhões em hospedagens desse tipo. Segundo levantamentos do setor, a capital fluminense registrava cerca de 36 mil imóveis anunciados na plataforma no ano passado.

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