Conhecida pelos frangos livres de antibióticos vendidos nos principais supermercados do país, a Korin nasceu de princípios religiosos da Igreja Messiânica Mundial. A empresa transformou os ensinamentos do filósofo japonês Mokiti Okada em um modelo de produção baseado em alimentos naturais, bem-estar animal e redução do uso de produtos químicos.
Fundada na década de 1990, em Ipeúna, no interior de São Paulo, a Korin começou quando a alimentação orgânica ainda estava longe de conquistar espaço no mercado brasileiro. Na época, a proposta de criar aves sem antibióticos e com ração livre de transgênicos foi recebida com desconfiança pela indústria.
“Éramos vistos como malucos ou irresponsáveis. Diziam que íamos disseminar doenças”, conta Edson Matsui, presidente do grupo.
Hoje, a empresa comercializa cerca de 300 produtos, entre frangos, ovos, carnes, peixes, hortaliças, cereais, mel, fertilizantes e produtos naturais de limpeza. O frango representa aproximadamente 70% do faturamento do grupo, que abate cerca de 17,5 mil aves por dia.
A filosofia da Korin está ligada aos ensinamentos de Mokiti Okada, fundador da Igreja Messiânica Mundial. Após enfrentar problemas graves de saúde, ele passou a defender uma alimentação baseada em produtos cultivados sem agrotóxicos ou componentes químicos.
A agricultura natural tornou-se um dos pilares da religião, ao lado do Johrei, prática de imposição das mãos para transmissão de energia espiritual, e da valorização da beleza por meio de arranjos florais.
A ligação religiosa também aparece no tratamento dado aos animais. Todos os anos, funcionários da empresa participam de uma cerimônia em homenagem às aves abatidas, com agradecimentos e orações por sua função na alimentação humana.
Nas granjas parceiras, os animais recebem ração feita com grãos não transgênicos, vivem com mais espaço e não usam antibióticos como forma preventiva ou para acelerar o crescimento. As propriedades passam por auditorias e certificações independentes de produção orgânica e bem-estar animal.
O processo aumenta os custos. Segundo a empresa, a alimentação representa até 70% das despesas de produção. O frango orgânico pode custar até cinco vezes mais que o convencional, enquanto a linha natural chega a custar três vezes mais.
Apesar da origem religiosa, a Korin também investe em ciência. O grupo mantém o Centro de Pesquisa Mokiti Okada, responsável pelo desenvolvimento de bioinsumos, fertilizantes, produtos de limpeza e fórmulas naturais voltadas para a agricultura e a criação animal.
Para Matsui, o modelo não tem capacidade de alimentar sozinho todo o mercado, mas pode servir de referência para outras empresas.
“Nós somos esse modelo e podemos vender esse conhecimento para que mais empresas queiram produzir desta forma”, afirmou.