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Vício em bets destruiu carreira de jogador, levou a roubos na própria família e quase terminou em tragédia

Vício em bets destruiu carreira de jogador, levou a roubos na própria família e quase terminou em tragédia
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O ex-zagueiro profissional Ítalo Augusto Souza Araújo, de 25 anos, decidiu expor como o vício em apostas destruiu sua carreira no futebol, consumiu cerca de R$ 100 mil, o levou a roubar a própria família, contrair dívidas com agiotas e pensar em tirar a própria vida. Hoje, em recuperação, ele usa a própria história para alertar outras vítimas da ludopatia.

Conhecido como “Animal” nos gramados, Ítalo passou por clubes como Cruzeiro, América-MG, Goiás, Paraná, Vila Nova e Capital. Segundo ele, o problema começou durante a pandemia, com apostas de baixo valor, mas rapidamente saiu do controle.

“Hoje eu posso dizer que perdi meu sonho por causa da ganância”, afirmou.

O vício chegou a afetar seu desempenho dentro de campo. Ítalo contou que fingia lesões para sair dos treinos e conferir apostas no celular, além de acompanhar resultados de outros jogos durante partidas decisivas.

Fora dos gramados, vendeu equipamentos esportivos, comprometeu uma loja de calçados que mantinha e passou a roubar dinheiro dentro de casa para continuar apostando.

“Eu aprendi a roubar dentro da minha própria casa”, relatou.

O momento mais crítico aconteceu quando, após perder dinheiro em apostas, entrou com o carro em uma rodovia decidido a provocar um acidente fatal. Ele desistiu e, pouco depois, passou a buscar ajuda.

A recuperação começou em uma reunião dos Jogadores Anônimos, para onde foi levado pela mãe. Hoje, são nove meses longe das apostas. Ítalo faz tratamento, bloqueou permanentemente o CPF nas plataformas de bets, evita acompanhar futebol para não sofrer recaídas e afirma ter reconstruído a relação com a família.

Recentemente, ele recusou uma proposta de R$ 5 mil para divulgar uma casa de apostas. “Como eu vou falar de algo que destruiu a minha vida e tantas famílias?”, questionou.

Onde buscar ajuda

A dependência em apostas é reconhecida como um transtorno de saúde mental e tem tratamento.

SUS: atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Jogadores Anônimos (BH): reuniões às terças e quintas-feiras, das 19h às 21h15, na Sede da Abraço (Av. do Contorno, 4.777, Funcionários). Informações pelo WhatsApp: (31) 99206-2501.

CVV (Centro de Valorização da Vida): atendimento 24 horas para pessoas em sofrimento emocional, pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br.

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