Um advogado com histórico profissional ligado ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), integra a direção da entidade escolhida para um contrato de R$ 1,95 bilhão com a pasta. Antonio Pedro Lovato, que já representou Padilha judicialmente, é um dos diretores do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI), vencedor do chamamento para gerir o novo Hospital Inteligente do SUS.
O instituto foi criado em março deste ano e declarado vencedor da seleção em publicação no Diário Oficial da União de 3 de setembro. A entidade é presidida pela cardiologista Ludhmila Hajjar, uma das idealizadoras do projeto do hospital.
Lovato e Padilha já trabalharam juntos na Prefeitura de São Paulo. Em 2016, durante a gestão Fernando Haddad (PT), o advogado foi chefe de gabinete da Autarquia Hospitalar Municipal, enquanto o atual ministro ocupava o cargo de superintendente.
Depois, Lovato passou a representar Padilha em processos no Tribunal de Contas do Município de São Paulo relacionados à passagem do ministro pela Secretaria Municipal de Saúde. Documentos do TCM registram tanto Antonio Pedro Lovato quanto seu escritório como representantes do petista.
O advogado também foi secretário municipal de Assuntos Jurídicos de Mauá durante a administração de Oswaldo Dias (PT) e aparece em registro do TRE-SP de 2022 como advogado do diretório do PT de Rio Grande da Serra.
Instituto recém-criado ficou em primeiro lugar
Além de Lovato, a direção do ITMI reúne nomes ligados principalmente à medicina e à USP, como o ex-reitor Carlos Gilberto Carlotti Júnior e os médicos Tarcisio Eloy Pessoa de Barros Filho, Fábio Biscegli Jatene e Giovanni Guido Cerri.
A segunda colocada no chamamento foi a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), criada em 1971 e responsável pela gestão de centenas de unidades de saúde em diferentes estados.
O ITMI ficará responsável, entre outras atribuições, pelo apoio à implantação da rede de UTIs Inteligentes e do Instituto Tecnológico de Emergência, nome oficial do Hospital Inteligente. A unidade está prevista para o complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
O projeto prevê 800 leitos e uso de inteligência artificial, internet das coisas, big data, telessaúde, ambulâncias conectadas por 5G e sistemas de automação hospitalar.
Ministério diz que seleção seguiu critérios objetivos
Procurado, Lovato não comentou o caso. O Ministério da Saúde afirmou que a escolha foi realizada por edital público, com ampla concorrência e critérios objetivos.
Segundo a pasta, a avaliação ficou a cargo de uma comissão independente que também contou com representantes do BNDES, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
O ministério acrescentou que não participa da escolha dos dirigentes das entidades concorrentes e que essa atribuição cabe exclusivamente às próprias organizações.
O Hospital Inteligente também envolve financiamento internacional. O governo federal contratou empréstimo de aproximadamente R$ 1,7 bilhão junto ao Banco do Brics para viabilizar o projeto. O acordo foi celebrado em janeiro, em evento com Lula, Alexandre Padilha, Dilma Rousseff e Ludhmila Hajjar.
A localização da futura unidade ainda provoca controvérsia em São Paulo. Pesquisadores reagiram à possibilidade de o projeto ocupar a área atualmente utilizada pelo Instituto Adolfo Lutz. A direção do órgão estimou em cerca de R$ 446 milhões o custo de uma eventual transferência. O governo paulista afirma que o local ainda não foi definido e que qualquer decisão deverá preservar as atividades do instituto.
Com informações do Metrópoles.