Enquanto pacientes com câncer lutam pela vida e famílias se endividam para pagar tratamentos, criminosos encontraram uma maneira ainda mais cruel de ganhar dinheiro: falsificar medicamentos que representam a esperança de sobrevivência de milhares de pessoas. Uma investigação em São Paulo revelou que frascos do Keytruda, imunoterapia que custa mais de R$ 20 mil por unidade, eram vendidos sem uma gota sequer do princípio ativo. No lugar do medicamento, a perícia encontrou apenas sódio e cloro.
A Operação Laziosi, realizada nesta quinta-feira (5), prendeu três suspeitos de integrar um esquema de falsificação de remédios oncológicos. Segundo a investigação, o grupo teria continuado atuando mesmo após a primeira fase da operação, em 2024. O caso é ainda mais revoltante porque uma dose falsificada chegou a ser aplicada em um paciente do Hospital IGESP, que acreditava estar recebendo o tratamento necessário para combater a doença.
A fraude foi descoberta após a fabricante MSD analisar frascos recolhidos do hospital. As embalagens reproduziam caixas, rótulos, bulas e lacres do produto original, mas os exames químicos não identificaram qualquer vestígio de pembrolizumabe, substância responsável por ajudar o sistema imunológico a combater células cancerígenas.
“Esses criminosos estavam tirando desses pacientes a chance de sobreviver”, afirmou o oncologista Stephen Stefani, ouvido pelo g1. O médico explicou que a falsificação é especialmente perigosa porque a imunoterapia costuma provocar poucos efeitos colaterais imediatos, o que dificulta a identificação de um medicamento sem eficácia. Além de deixar o paciente sem tratamento, uma solução manipulada irregularmente pode causar contaminações.
O Keytruda é utilizado no tratamento de diversos tipos de câncer, incluindo tumores de pulmão, mama, rim e pele. No Brasil, o medicamento é um dos mais disputados judicialmente por pacientes que não conseguem acesso pela rede pública. São cerca de 6,7 mil ações na Justiça para obter o tratamento, que pode representar a última alternativa para pessoas com doenças graves.
O que a investigação expõe vai além de uma fraude milionária. Falsificar um medicamento contra o câncer significa explorar o desespero de famílias, desperdiçar um tempo precioso de tratamento e colocar vidas em risco por dinheiro. Para quem enfrenta uma doença tão grave, cada dose pode fazer diferença. Transformar essa esperança em mercadoria falsificada é uma perversidade que exige investigação rigorosa e responsabilização dos envolvidos, conforme a participação de cada um seja comprovada.
Com informações do g1.