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CV leva mergulhadores de elite do Rio e de SP para esconder cocaína em navios na Amazônia

CV leva mergulhadores de elite do Rio e de SP para esconder cocaína em navios na Amazônia
Com menos vigilância e tecnologia, Porto de Santana vem sendo utilizado para escoar cocaína para a Europa — Foto: DADO GALDIERI/The New York Times

O Comando Vermelho (CV) estaria levando mergulhadores profissionais do Rio de Janeiro e de São Paulo para a Amazônia com uma missão específica: esconder carregamentos de cocaína em navios com destino à Europa. Segundo relatório da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC), entre os recrutados estariam ex-militares de elite da Marinha e ex-bombeiros.

As operações são realizadas durante a noite no Rio Amazonas, em pontos com até 30 metros de profundidade e praticamente nenhuma visibilidade. A técnica consiste em colocar pacotes de cocaína em compartimentos submersos dos cargueiros, muitas vezes sem conhecimento da própria tripulação. Em abril de 2024, a Polícia Federal encontrou 150 quilos da droga escondidos na caixa de mar de um navio atracado no Porto de Santana, no Amapá.

A mudança faz parte de uma estratégia mais ampla do tráfico. Com o aumento da fiscalização em portos como Santos, em São Paulo, e Vila do Conde, no Pará, organizações criminosas passaram a explorar saídas menos vigiadas. O Porto de Santana, que segundo o estudo não possui escâneres para contêineres e tem inspeções manuais esporádicas, ganhou espaço nessa nova rota.

O relatório aponta o CV como principal força na consolidação da Amazônia como corredor de cocaína para a Europa. Manaus funciona como centro logístico, enquanto Macapá e o Amapá ganharam importância no escoamento. Em março de 2025, um submarino que teria partido de Macapá foi apreendido na região dos Açores, em Portugal, com 6,6 toneladas de cocaína de alta pureza avaliadas em mais de R$ 2 bilhões.

Os números dão dimensão da expansão do tráfico na região: entre 2019 e 2024, as apreensões estaduais de cocaína na Amazônia cresceram 574%, superando 162 toneladas. Além dos mergulhadores, o estudo relata o emprego de lanchas blindadas e aeronaves voando em baixa altitude para escapar dos radares, enquanto aponta a falta de equipamentos de fiscalização e a extensão da malha fluvial como vulnerabilidades exploradas pelo crime organizado.

Com informações do O Globo.

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