Rio de Janeiro

Justiça mantém liminar que suspende leilão de imóvel desapropriado em Botafogo após recurso da Prefeitura do Rio

Justiça mantém liminar que suspende leilão de imóvel desapropriado em Botafogo após recurso da Prefeitura do Rio
Imóvel do Grupo Sendas, localizado em Botafogo, no centro da disputa — Foto: Reprodução/Google Maps

A Justiça manteve a liminar que suspende o edital de leilão do imóvel localizado na Rua Barão de Itambi, em Botafogo, que pertencia ao Grupo Sendas. A decisão foi tomada nesta terça-feira (25) pela 5ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), após recurso apresentado pela Prefeitura do Rio.

O colegiado acompanhou, por unanimidade (três votos a zero), o entendimento da desembargadora relatora Rose Marie Pimentel Martins, que havia suspendido o leilão em decisão de 20 de abril deste ano.

Segundo o vereador Pedro Duarte (PSD), que divulgou a decisão, a Câmara entendeu que o imóvel não reúne as características que permitiriam sua desapropriação por meio de hasta pública, mantendo a suspensão da licitação.

“Essa decisão é muito importante, pois somos favoráveis que prevaleça a segurança jurídica, o direito à propriedade privada e que seja respeitada a preferência dos moradores do entorno, que nitidamente querem um supermercado ali”, afirmou Duarte.

Desapropriação virou disputa entre Prefeitura e Grupo Sendas

A disputa judicial começou após a Prefeitura do Rio decretar a desapropriação do imóvel, no fim do ano passado. Neste ano, o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) revisou o decreto e publicou uma nova versão classificando o espaço como de interesse público.

A prefeitura prevê a instalação de um centro de pesquisas em inteligência artificial no local, projeto que já vinha sendo desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O Grupo Sendas, antigo proprietário do imóvel, contesta a desapropriação e afirma que a medida beneficia uma entidade privada de forma arbitrária.

Segundo a empresa, a necessidade de desapropriação não estaria caracterizada, uma vez que havia negociações avançadas para a instalação de uma unidade do supermercado Mundial no espaço. A ação original do grupo, que questionava o primeiro decreto municipal, foi extinta após a publicação da nova versão da legislação, e a disputa passou a envolver o novo texto.

Posicionamento do Grupo Sendas

O Grupo Sendas afirmou que o imóvel não estava e não está abandonado nem subutilizado quando foi incluído no processo. Além disso, a empresa argumenta que o prédio abriga uma academia em funcionamento, enquanto o espaço térreo passa por reformas para receber um novo supermercado, com contrato já firmado.

Para Arthur Sendas Filho, presidente do Grupo Sendas, a decisão do tribunal representa um avanço na disputa judicial.

“A decisão de hoje preserva o imóvel até que a Justiça confirme definitivamente a ilegalidade do decreto de desapropriação. O parecer do Ministério Público trouxe elementos importantes ao processo e reforça a necessidade de que o poder público observe os requisitos legais e a finalidade pública ao promover uma desapropriação”, afirma.

Para a abertura definitiva do Supermercado Mundial, que tem contrato assinado para alugar a loja, o Grupo Sendas espera que a Prefeitura encerre a disputa o quanto antes.

O Grupo Sendas diz que reafirma ter confiança na Justiça e seguirá adotando as medidas necessárias à defesa de seus direitos, mantendo-se aberto ao diálogo e à busca de uma solução dentro dos parâmetros legais.

Com informações do Tempo Real.

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