O Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), tem hoje um cenário bem diferente daquele que marcou sua inauguração, há quase um século. Cerca de 90% dos profissionais que mantêm o espaço em funcionamento são mulheres, ocupando funções estratégicas em setores como Cultura, Segurança, Brigada de Incêndio, Biblioteca, Administração, Departamento Médico, operação dos elevadores e serviços gerais.
O protagonismo feminino no edifício histórico dialoga com a trajetória de mulheres que ajudaram a ampliar a participação feminina na política brasileira. Foi no Palácio Tiradentes, então sede da Câmara dos Deputados, que a Constituição de 1934 incorporou o direito ao voto das mulheres, conquistado dois anos antes.
Entre os nomes que marcaram essa história está Almerinda Gama, sindicalista que participou da Assembleia Nacional Constituinte de 1933, além da bióloga e líder sufragista Bertha Lutz, defensora da igualdade de direitos entre homens e mulheres, e da professora e indigenista Leolinda Daltro, pioneira na luta pelo sufrágio feminino. Já na história da Alerj, a ex-deputada Jurema Batista se destacou como a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira no Parlamento fluminense e por criar o Disque Discriminações.
Para a diretora de Cultura do Palácio Tiradentes, Fernanda Figueiredo, a presença feminina vai além dos números. “O Palácio está sendo cuidado, na sua preservação de memória e patrimônio, mas também no cotidiano por meio de uma representatividade feminina em diversas áreas”, destacou.
A historiadora Heloísa Santos, integrante da equipe de visitas guiadas, afirma que o trabalho desenvolvido no local também busca resgatar a participação das mulheres na construção da democracia brasileira. “Quando mostramos a trajetória dessas mulheres, aproximamos o público de uma história que muitas vezes foi invisibilizada e ajudamos a preservar esse legado”, afirmou.
Quase cem anos após sua inauguração, o Palácio Tiradentes reúne não apenas a memória da participação feminina na vida pública, mas também reflete essa transformação em sua rotina diária, com mulheres ocupando a maioria dos cargos responsáveis pela preservação e funcionamento de um dos principais símbolos da história política fluminense.