A nova concessionária dos trens metropolitanos do Rio começou a operar a malha ferroviária com uma missão urgente: colocar ordem em um sistema marcado por furtos, vandalismo, falhas de sinalização e influência do crime organizado em parte das estações. A TrensRJ assumiu a operação neste sábado (31), no lugar da SuperVia, que deixou o serviço após 27 anos e seis meses de concessão.
Logo na largada, a empresa iniciou o monitoramento por drones em 97 pontos considerados sensíveis da rede ferroviária.
A tecnologia será usada em áreas com histórico de furtos, vandalismo e concentração de equipamentos essenciais para a circulação dos trens. A medida mira principalmente trechos onde ataques à infraestrutura já provocaram atrasos, prejuízos e risco para os passageiros.
Nas primeiras horas de operação, os drones flagraram quatro pessoas em atitude suspeita entre as estações Maracanã, São Cristóvão e Praça da Bandeira. A Polícia Militar foi acionada, mas os suspeitos fugiram.
O diagnóstico feito antes da transição expôs o tamanho do problema. Segundo a nova operadora, 14 estações ficam em áreas sob influência direta de grupos criminosos. Nos 40 dias anteriores à troca de concessionária, foram registradas 79 ocorrências de segurança pública, que provocaram atrasos ou a supressão de 190 viagens.
A empresa também identificou 178 ferros-velhos em um raio de até dois quilômetros da ferrovia. Parte desses estabelecimentos é suspeita de receber material furtado da própria rede. As informações foram encaminhadas à Polícia Civil.
O impacto desse tipo de crime já apareceu de forma grave. Em outubro de 2025, um trem descarrilou em Madureira, no ramal Belford Roxo, após o furto de dezenas de grampos responsáveis pela fixação dos trilhos.
Além da segurança, a TrensRJ encontrou problemas operacionais. Nenhum dos cinco ramais e cinco extensões funciona ainda com sinalização totalmente automatizada. Em alguns trechos, a liberação da circulação depende da comunicação por rádio entre maquinistas e o Centro de Controle Operacional. Mesmo assim, a empresa afirma que o sistema segue seguro.
A manutenção das composições também entrou no radar. Segundo o levantamento, havia trens sendo lavados apenas a cada 42 dias. A nova operadora informou que mudou os produtos usados na limpeza e pretende reduzir esse intervalo. Oito composições foram lavadas já no primeiro fim de semana da nova gestão.
Nesta segunda-feira, primeiro dia útil sob responsabilidade da TrensRJ, a previsão é de circulação de 142 trens em mais de 700 viagens. A rede atende cerca de 300 mil passageiros por dia na Região Metropolitana.
A tarifa segue em R$ 7,60 no valor cheio e R$ 5 para beneficiários da tarifa social.
O contrato com o Estado prevê a operação de 270 quilômetros de trilhos e 104 estações por um período inicial de cinco anos, com possibilidade de renovação por mais cinco. Ao todo, estão previstos R$ 652 milhões em investimentos e despesas, incluindo manutenção da infraestrutura, troca de trilhos e substituição de dormentes.
A TrensRJ assume o sistema com promessa de tecnologia, reforço na vigilância e manutenção mais presente. O desafio agora é fazer o passageiro sentir essa mudança na prática: trem circulando, estação funcionando e menos espaço para furto, vandalismo e domínio do crime sobre a ferrovia.