As estatais federais que dependem de recursos do Tesouro deverão consumir cerca de R$ 36 bilhões do Orçamento da União em 2027. A lista reúne empresas conhecidas, como a Embrapa, mas também estruturas que passam longe do radar da maioria dos brasileiros, entre elas fabricantes de armamentos, companhias de tecnologia nuclear e a estatal reativada para produzir semicondutores.
A Embrapa ficará com R$ 5,9 bilhões, cerca de 16,5% dos recursos. Já a Ceitec, conhecida pelo desenvolvimento do chamado “chip do boi” e reativada pelo governo Lula, terá R$ 90 milhões. A proposta prevê ainda R$ 2,3 bilhões para a Conab, R$ 1,1 bilhão para a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e R$ 849 milhões para a Infra S.A., criada a partir da fusão da Valec com a antiga estatal responsável pelo projeto do trem-bala Rio-São Paulo.
O peso dessas empresas no Orçamento reacendeu a discussão sobre a necessidade de manter estruturas incapazes de financiar as próprias operações. O economista Armando Castelar, do FGV Ibre, ressalta que esses recursos disputam espaço com outras políticas públicas e contribuem para o déficit e o aumento da dívida. Já Sérgio Lazzarini, professor do Insper, defende que cada estatal seja submetida a uma pergunta básica: qual interesse público ainda justifica sua existência?
Mais da metade do dinheiro, porém, está concentrada na saúde. Segundo o Ministério da Gestão e Inovação (MGI), cerca de 55% das despesas das estatais dependentes vão para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, o Grupo Hospitalar Conceição e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A pasta afirma ainda que o gasto total previsto para 2027 crescerá 2,2% sobre 2026, abaixo da inflação projetada.
O governo sustenta que essas empresas atuam em áreas estratégicas ou prestam serviços públicos gratuitos e afirma que vem revisando, desde 2023, quais delas podem deixar de depender do Tesouro. O MGI cita como exemplo a Telebras, em processo de transição para a condição de não dependente após registrar lucro de R$ 140,5 milhões em 2025. A discussão sobre os R$ 36 bilhões agora seguirá para o Congresso durante a análise do Orçamento de 2027.
Com informações do O Globo.