O Governo do Rio concluiu 30 auditorias sobre contratos que somam pelo menos R$ 2,6 bilhões, firmados durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro. Os relatórios foram encaminhados pelo Gabinete de Segurança Institucional ao Ministério Público do Rio para aprofundamento das apurações. Um dos casos, que cita o candidato ao governo Douglas Ruas (PL) e o deputado federal Altineu Côrtes (PL), acabou remetido à Procuradoria-Geral da República em razão do foro especial do parlamentar.
Na auditoria da Secretaria estadual das Cidades, comandada por Ruas entre setembro de 2023 e março deste ano, a Controladoria-Geral do Estado apontou um “circuito de relações interligadas” entre as famílias Ruas e Côrtes. A Mineração Santa Edwiges, que tem entre os sócios um filho de Altineu, forneceu massa asfáltica utilizada em obras da pasta, principalmente em São Gonçalo, administrada pelo pai de Ruas, Capitão Nelson. Os auditores também identificaram negócios privados entre a Saur, empresa da qual Ruas detém 90%, e a Normandia, ligada à família Côrtes.
A documentação registra ainda que a Saur acumulou R$ 19,6 milhões em lucro líquido até novembro de 2025, dos quais R$ 15,9 milhões foram destinados a Ruas como dividendos. O relatório, porém, não conclui que essas relações, por si só, caracterizem ilícito. A campanha de Ruas destaca justamente que os documentos não apontam “caracterização inequívoca de irregularidade material” e afirma que o candidato quer o aprofundamento das apurações. Altineu também nega qualquer ato ilícito e diz que as empresas mencionadas não tiveram vinculação com o poder público.
As outras auditorias encontraram problemas espalhados pela administração estadual. Entre eles estão contratos de R$ 153,9 milhões para compra de livros, incluindo 100 mil kits sobre álcool ao volante adquiridos por R$ 25,7 milhões, dos quais grande parte permaneceu armazenada. Também foi analisada uma contratação sem licitação de R$ 7,6 milhões para seminários on-line: nos quatro eventos realizados, mais de 90% dos participantes ficaram com carga horária zerada.
A varredura alcançou ainda contratos para limpeza de praças pelo Instituto de Terras e Cartografia (Iterj), transporte de escória para pavimentação pelo DER-RJ e alimentação de presos. As auditorias foram determinadas após o sistema de controle estadual apontar indícios de sobrepreço. Encerrada a etapa administrativa, caberá agora ao Ministério Público e, no caso remetido por envolver autoridade com foro, à PGR avaliar eventuais providências nas esferas cível e criminal.
Com informações do O Globo.