Política

Brasil com medo: 2 em cada 3 eleitores temem ser assaltados à mão armada

Brasil com medo: 2 em cada 3 eleitores temem ser assaltados à mão armada

Sob a mira de candidatos da esquerda à direita como um dos principais temas da campanha, a sensação de insegurança atinge a maioria dos brasileiros, indica pesquisa Ideia realizada neste mês. Os dados, obtidos com exclusividade pelo GLOBO, apontam que a possibilidade de sofrer um assalto à mão armada preocupa 66%, ou seja, duas a cada três pessoas, que disseram ter “medo” ou “muito medo” desta hipótese. Logo em seguida, a chance de ter o celular roubado desperta “medo” ou “muito medo” para 63,9%.

A pesquisa testou como os brasileiros reagem à possibilidade de serem vítimas de 11 diferentes crimes, que incluem danos patrimoniais, físicos e risco de vida. Foram feitas 1.500 entrevistas em todo o país, por telefone, entre 31 de julho e 3 de agosto, e a margem de erro é de 2,5 pontos. 

Além da perda de bens materiais, o temor de ser vítima de crimes contra a vida também é alto: 63,1% têm medo de ser fisicamente agredidos em um assalto, e 62,9%, quase o mesmo percentual, temem ser assassinados em um roubo. Já o risco de ser vítima de bala perdida gera preocupação mais acentuada para 60,9%. 

— Há uma percepção aguda de insegurança, e as violências física e patrimonial estão misturadas. O medo de perder o celular, que perpassa diferentes classes sociais e regiões, acaba se conectando com o receio de ser agredido ou até morto em um assalto — avalia a diretora-executiva do instituto Ideia, Cila Schulman. 

No levantamento da Quaest divulgado na sexta-feira, a violência segue como principal preocupação dos brasileiros. É citada por 33%. 

O temor de assalto à mão armada foi a resposta mais mencionada tanto por eleitores de esquerda quanto de direita na pesquisa Ideia. Já o de ter o celular roubado ou furtado, mais pronunciado entre a população com 60 anos ou mais, é uma das hipóteses que mais aflige jovens de 16 a 24 anos. 

Na avaliação de David Marques, gerente de projetos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o medo dos brasileiros de crimes como roubo de celular envolve tanto o fato de muitas pessoas já terem sofrido na pele — a chamada “vitimização real” — quanto a exposição a relatos de terceiros. 

— Já o latrocínio (roubo seguido de morte) é muito menos comum, estatisticamente, mas é algo que ganha muita visibilidade quando é registrado por câmeras de segurança. Isso rapidamente vai para as redes sociais e vai se refletir na sensação de segurança — compara Marques. 

Setores vulneráveis

A pesquisa também indica que o temor de ser vítima de estupro e abuso sexual ou de violência policial, por exemplo, aparece de forma mais pronunciada em segmentos como os mais pobres. 

No recorte por cor e raça, entre os autodeclarados pretos e pardos, o “medo” ou “muito medo” de sofrer estupro ou assédio é de 61,5% e de 54,8%, respectivamente, acima de preocupações como sofrer um golpe financeiro ou um sequestro. Entre os brancos, o índice é de 50,6%. 

Já entre as mulheres, quase 80% disseram ter “medo” ou “muito medo” de ser vítimas de violência sexual. Para o cientista político João Trajano Sento-Sé, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, os dados atestam a maior vulnerabilidade de determinados segmentos. 

— Faz sentido que as mulheres, sendo mais atingidas por estupro e assédio, tenham maior temor. Da mesma forma, a população negra e pobre é historicamente a maior vítima de ações policiais e de mortes violentas — aponta. 

A pesquisa também aponta que a rua é o local onde mais entrevistados, 55,3%, dizem se sentir inseguros. Entre os mais pobres, porém, 38% se disseram inseguros na própria casa, temor que cai para 28% entre os mais ricos.

As informações são do O Globo.

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